sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Vencendo as crises antes do divórcio

Alguém disse que: “o Casamento é uma fortaleza sitiada, cercada, quem está fora quem entrar, quem está dentro quer sair”. Este tem sido o versículo mais usado nos nossos convites de casamento, muitos dos quais já terminaram num Cartório. Um amor à prova de vendavais precisa de maturidade. Inspirado no amor de Deus será um amor forte, aceso e tão rico que ninguém pode comprá-lo.


Parece que nos envolvemos demais com o romantismo dos contos de fada e desprezamos o amor bíblico e maduro que fortalece os relacionamentos. Os casais precisam redescobrir este livro.


Precisamos com urgência de um programa de apoio às famílias que discuta a fundo as questões diárias que nos levam a essas crises e com coragem tratarmos da saúde conjugal afetada.


I – ESTEJAMOS ATENTOS A ALGUMAS QUESTÕES FUNDAMENTAIS


Sem vigilância mútua nosso casamento se expõe. Essa vigilância implica em avalia-ções freqüentes. Quando nos avaliamos, de algum modo corremos o risco dessa liberdade, mais vale a pena. Alguns mitos precisam ser banidos no começo da vida conjugal:


1 – Nenhum casamento vem pronto e acabado – A felicidade do casamento é artesanal e requer paciência. Durante o noivado traçamos o projeto. Agora temos a vida inteira para a construção e reformo ou aprimorar o acabamento. O amor deverá ser vivenciado pela renúncia, diálogo aberto e liberdade de expressão.


2 – Qualquer casamento está potencialmente sujeito à separação – Somos pecadores, falíveis e o Evangelho não nos isenta de tribulação. Mas alguns preferem ser ufanistas cegos que pensam que serão felizes por causa da sua fé apenas piedosa. Outros influenciados pelo pessimismo que se abate sobre as famílias desistiram na primeira dificuldade. Em ambos os casos, tem resultado uma vivência amarga, porque as fraquezas não foram tratadas com amor.


3 – Nem todos estão preparados para encarar as diferenças individuais – Nosso risco começa no noivado. Nós sabemos da diferença mas disfarçamos por causa da conquista. Não discutimos e até nem “brigamos” por essas questões e “despachamos a bagagem” para dentro do casamento. Ser diferente é simplesmente normal. No aconselhamento pré-nupcial sempre en-contramos noivos que me dizem que são “almas gêmeas”, e isso não raro, resulta em choque futuro. O segredo, para mim, consiste em tirar bom proveito dessas diferenças em função da unidade. Este é um dos grande segredos da vida conjugal.


4 – Muitas vezes os grupos de apoio são também grupos de pressão – Muitos dos casamentos que já acabados resultaram da pressão de pais, familiares, sociedade e mesmo a igreja. Mas nem sempre nós estamos convicto do que queremos. O mesmo grupo que escolhe para nós um casamento poderá nos cobrar depois o nosso fracasso. A Igreja precisa incentivar o poder in-dividual de decisão e apoiar.


II – PRECISAMOS DE SABEDORIA PARA VENCER AS CRISES


Encarar a crise como normal e que precisa ver vencida com amor é preciso identificar o ponto trazido ao casamento ou adquirido na trama doméstica da inter-relação. Falaremos de crises mas na verdade queremos falar de níveis de relacionamento. A crise vem da não compreen-são de um bom relacionamento


1 – Crise de mando e de poder – Os três Poderes em nossa casa - Talvez uma das sérias. Geralmente não resolvida no noivado vai tomando força e prejudicando a boa relação conjugal. O autoritarismo e a subserviência são dois pontos fracos. Na maioria das vezes o autoritário é machista e freqüentemente desfaçado de conteúdo bíblico. Se Deus for mesmo o Senhor da nossa família e aprendermos o que Deus ensinou ao primeiro casal sabe-remos administrar harmonicamente a nossa família.


2 – Crise de economia e finanças – o dinheiro desponde por tudo - Esta crise está intimamente ligada a de mando e poder. Se Deus for o Senhor da casa e a nossa visão de mordomia for bíblica, ninguém será sócio majoritário. Primeiro o Reino de Deus, segundo o casal harmonicamente, com sabedoria, incluindo os filhos discutirão juntos as suas decisões.


3 – Crise sócio-familiar – os demais da família - Quando dois se casam, um leque de fraternidade ou de intrigas podem estar se abrindo. O casal precisa dar espaço aos demais familiares até o limite e não interferir em qualquer decisão a ser tomada pelos dois. Muitos pais falham porque continuam a dirigir seus filhos por “controle remoto”.


4 – Crise de criatividade, falta humor e relaxamento no lazer – Em geral os noivos procuram ser criativos, cheios de bom humor e promovem seu lazer. Quando se casam, em nome de muita ocupação, ganhar mais dinheiro ou muitos cursos, enterram esta chance de vida ao casamento. Saber “quebrar o gelo” e dar um novo toque de alegria a relação conjugal é para muitos a porta da saída da crise.


5 – Crise afetivo-sexual – o que a falta de carinho pode fazer - Muitos casais se queixam sempre da famosa diferença entre ser noivo e ser casado. É como se tivessem sido enganados. Muitas promessas não cumpridas. E no afeto a crise é grande. Quando abandonamos os pequenos gestos começamos a “matar” o afeto do outro por nós. Cada um deve Ter liberdade de se expressar livremente e o outro de entender o seu gesto. As outras crises atingem a esta e quando não temos mais motivo para estarmos juntinhos e aquecidos, em qualquer idade, entramos numa área de risco e não raro tem sido aqui a porta da infelicidade. Este tratamento não tem contra-indicação, serve em qualquer idade.


6 – Crise da fé bíblica – Espiritualidade - Na verdade, a resposta à todas essas crises está na Palavra de Deus. Muitas vezes para convencer a família, igreja e pastor dizemos que estamos “no plano de Deus”, mas é o cultivo diário da Bíblia, oração em família, testemunho da palavra que manterão a família em pé. Sem espiritualismo falso.


CONCLUSÃO


Jamais minimize a crise nem a superestime. Juntos em oração, renúncia e franco diálogo, muitas crises serão vencidas. É preciso incrementar o aconselhamento bíblico da família nas igrejas e grupos de casais de mútua ajuda e que sejam confidentes.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Quem você reflete no lar?

Numa parede perto da entrada principal de um lugar histórico em San Antônio, Texas, Estados Unidos, tem uma fotografia com a seguinte legenda: “James Butler Bonham – não existe foto dele. Essa foto é de seu sobrinho, Major James Bonham, falecido, que se parecia muito com seu tio. A família colocou a foto dele aqui para que as pessoas pudessem ver a aparência de um homem que morreu pela liberdade”.

Também não existe nenhuma foto de Jesus. O jeito como ele é conhecido é por meio das pessoas que O seguem. E, não há lugar mais apropriado para demonstrar essa semelhança, e onde seja tão necessária, quanto no casamento.

O problema é que aqueles que acreditam em Deus entram no casamento sem fazer uso dos recursos e ferramentas que Ele coloca à disposição para construir a unidade em seus lares.

É como se fosse um homem que economizou cuidadosamente e fielmente o seu dinheiro por muito tempo, e finalmente foi capaz de fazer uma viagem num grande transatlântico. Por ter uma vida muito racionada em termos de dinheiro, ele conseguiu juntar dinheiro apenas para comprar a passagem. Por isso, decidiu levar com ele biscoitos salgados e queijo para se alimentar, já que não teria dinheiro para comer nos restaurantes chiques do navio.

Durante muitos dias ele se sentava em sua cabine, vendo os mordomos passando para lá e para cá, empurrando carrinhos cheios de salmão com molho de maracujá, pratos cheios de tilápias fritas, grandes bacias de saladas, frutas e comidas deliciosas. Finalmente, ele não conseguiu mais resistir.

Quando um mordomo passou por ele, o homem saiu de seu quarto, segurou o braço do garçom e disse: “Amigo, estou com muita fome. Eu trabalharei de garçom. Eu faço tudo o que for necessário, eu esfrego o convés, mas eu preciso ter um pouco de comida. Meu queijo e meus biscoitos já estão mofando, e eu preciso ter algo decente para comer”.

O garçom olhou para ele de maneira estranha, e depois de um tempo sorriu, e disse: “O senhor não sabe? Sua comida está incluída no preço da passagem!”

Muitos cristãos vivem como o passageiro daquele navio. Eles ficam comendo biscoitos salgados e queijos quando poderiam estar se banqueteando com a melhor comida. Jesus claramente disse que Ele veio para que pudéssemos viver mais abundamente. Se eu e vocês não estamos vivenciando essa abundância em nossa vida, algo está errado, não com o Senhor ou com Suas promessas, mas conosco. Seu casamento, desde o começo, precisa ter a preocupação de como vocês terão o crescimento espiritual. A intimidade espiritual do casal será a porta de entrada para uma qualidade de vida que nada mais nesse mundo pode oferecer.

O casamento foi criado por Deus, por isso o casamento não é simplesmente uma relação entre duas pessoas, mas entre três – o marido, a esposa e Deus. Se vocês falharem em crescer nesses aspectos, podem ter certeza de que seu casamento não vai adquirir o nível de intimidade e unidade que Deus planejou.

Então, como experimentar esse novo nível de intimidade? O que é necessário fazer para que haja crescimento espiritual?

Comecem refletindo sobre algo: Se Jesus Cristo vivesse a Sua vida nesse exato momento, será que ela seria diferente em algum aspecto? Se Ele fizesse o que você faz, tratasse sua esposa como você a trata, haveria muita diferença?

Por serem cristãos, você e seu cônjuge precisam lembrar que Jesus Cristo é o primeiro de suas vidas, e por isso deve ter prioridade em todas as decisões, escolhas, e atitudes do casal. Além disso, vocês são chamados para representarem a Deus em tudo o que fazem.

Como diz Efésios 5:1, na Versão da Bíblia na Linguagem de Hoje, “vocês são filhos queridos de Deus e por isso devem ser como Ele”. Devemos ser imitadores de Deus. Agir em nosso lar como Jesus agiria se aqui vivesse. Devemos ser, tal qual a história que lemos no começo, a fotografia de Jesus para que outros vejam, principalmente nosso cônjuge.

Então, como podemos fazer isso? Apresentaremos três maneiras nessa palestra, que são: ter a mesma dependência que Jesus teve de Deus, ter o mesmo espírito amor altruísta e ter a mesma disponibilidade para perdoar.

A MESMA DEPENDÊNCIA DE DEUS

Deus é nossa única Fonte de amor, vida e alegria. Somente quando vivemos em íntimo contato com Ele que podemos usufruir essas bênçãos. No entanto, por causa do pecado, e da nossa rebelião, cada um de nós parece querer substituí-lo por outras coisas. E essas coisas nunca preenchem o vazio que temos em nosso coração.

Para voltar a viver no plano de Deus, precisamos seguir o que o próprio Jesus Cristo apresentou como sendo o mais importante: amar a Deus acima de todas as coisas (Luc. 10:27). Isso significa que Ele – não seu cônjuge ou alguma outra coisa, se torna sua Fonte de alegria e amor. Você entende o amor que vem de seu cônjuge como resultante do amor de Deus por você. Isso liberta seu cônjuge da responsabilidade de realizar todas as suas expectativas, de cuidar de suas emoções e de evitar ações que o/a deixe magoado.

Isso significa que Deus vai substituir o seu cônjuge? Não mesmo! Ao invés disso, permitir a Deus agir como Deus capacita você a se conectar mais profundamente com seu cônjuge. O relacionamento familiar deve ocorrer no contexto de vidas cheias do Espírito Santo.

O apóstolo Paulo escreve no texto de Efésios 5:18: Não se embriaguem, [...] mas encham-se do Espírito. Mas, por que Paulo colocaria embriagar-se em oposição a ser cheio do Espírito? Porque ele queria ajudar seus leitores a entenderem o que significa ser cheio. Quando as pessoas se embriagam, elas ficam controladas pelo álcool. O mesmo acontece quanto ao Espírito. Ser cheio do Espírito significa que Ele controla você.

E, os resultados de ser cheio do Espírito incluem santidade e alegria. Paulo descreve isso em Efésios 5:19-20, dizendo: falando entre vós com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando ao Senhor no coração, e sempre dando graças por tudo o que Deus, o Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, o casamento vai continuar a ter a mesma empolgação de se início.

Além disso, ser cheio do Espírito acompanha o companheirismo com Cristo. Implica em buscar sempre a Deus, e não apenas quando o casal enfrenta momentos de crise ou emergência. Ele merece ser o primeiro e mais importante em Seu casamento. É preciso ter certeza de que Ele está pessoalmente interessado nos fatos de sua vida. Só que Ele não vai se impor a você ou aos seus familiares. Ele é um perfeito cavalheiro, aguardando ser convidado a entrar em suas vidas.

Deixar Deus dirigir a vida é ter a certeza de que Ele é real para seu casamento, que Ele vai orientá-los nas decisões da vida, e confortá-los quando necessário. Além disso, vocês sentirão Seu espírito a envolvê-los.

E, à medida que o casal se aproxima mais de Deus em oração, mais se aproximará um do outro. Uma vida significativa que é partilhada é resultado de uma oração partilhada entre indivíduos que experimentam uma união profunda com Deus.

Nossa vida espiritual afeta diretamente nosso casamento e nossa família. É a nossa falta de andarmos diariamente no Espírito que é a verdadeira raiz de nossa infelicidade no casamento.

O MESMO ESPÍRITO DE AMOR ALTRUÍSTA

Outro aspecto envolvido nesse tipo de dependência de Deus é o que trata de amar e servir como Ele o fez. O casamento é um compromisso que dura a vida inteira, e no qual homem e mulher abrem mão de todas as outras pessoas e se dedicam apenas a uma. Isso exige muito amor. Isso significa até mesmo abrir mão de interesses pessoais ou mesmo de objetivos pessoais muito desejados, mas que entrem em conflito com a realidade conjugal. Isso implica em um amor altruísta.

Nesse contexto, na vida conjugal, altruísmo é a atitude madura e amorosa de colocar os interesses do cônjuge em primeiro lugar. E é motivado pelo amor e por um senso grande de serviço. Ele não inclui recompensa ou ficar contando quantas vezes já agiu daquele jeito. Estamos falando de uma atitude de sacrifício pessoal, não de negociação de favores, o que pode se tornar uma manipulação para conseguir o que se deseja.

É importante deixar claro que viver de maneira altruísta em seu casamento não significa que sua própria vida deve ser rejeitada. Mas quer dizer apensa que todas as decisões e ações que você tiver que enfrentar, é necessária cuidadosa consideração sobre o impacto delas na vida de seu cônjuge. A fim de fazer isso, você precisa desenvolver uma excelente comunicação com seu cônjuge.

O altruísmo causa maior impacto quando é visto nas pequenas coisas do dia a dia, em virtude de sua freqüência. Coisas como dar o último pedaço de bolo para o cônjuge, lavar o carro do cônjuge quando percebe que ele/ela está sem tempo para fazer isso, lavar as roupas ou limpar a cozinha quando seu cônjuge que normalmente faz a tarefa não estiver se sentindo bem, etc, são maneiras pelas quais você pode demonstrar em pequenas coisas, a importância que a outra pessoa tem para você.

Além disso, altruísmo vai além do que lidar com coisas materiais. Um cônjuge altruísta também será generoso dando de seu tempo, e terá uma mente aberta para fazer as coisas que seu cônjuge gostaria que fizessem juntos.

Devemos nos lembrar que Jesus nos convida a colocar as necessidades dos outros como prioridade. Podemos aprofundar nosso compromisso no casamento ou mesmo mudar a dinâmica de comunicação e resolução de conflitos no casamento por meio do amor incondicional. Amar dessa maneira pode transformar não apenas o cônjuges mas principalmente a nós mesmos.

Se ambos estão comprometidos a agir de maneira altruísta no casamento, nenhum dos dois vai se sentir enganado. Cada um sabe que a outra pessoa, por meio de sua atitude e ações, está genuinamente preocupado com as suas necessidades e desejos. Agora, o problema está quando apenas um cônjuge está aplicando esses princípios ao casamento. Se for assim, a vida altruísta pode ser muito difícil no começo – alguém pode mesmo se sentir um capacho. Contudo, ser consistente em agir com altruísmo, e combinar isso com uma melhoria da comunicação, pode transformar a vida de seu cônjuge.

O modelo maior para amarmos dessa maneira, é lembrarmos como somos amados por Jesus – que nos ama sem contar o que Ele vai ganhar com isso. “Amai uns aos outros como Eu vos amei”. Devemos ter como base o amor que Jesus tem por nós. Um amor sem limite. Assim é que devemos amar nosso cônjuge que é brigão e grita com você. Ao invés de pagar com a mesma moeda, pode perguntar a nós mesmos: “O que minha esposa está precisando nesse momento?” Altruísmo aqui não diz respeito a abrir mão da dignidade ou se entregar para um abusador. É amar alguém que não esteja motivando a outra pessoa a amá-la naquele momento.

Amar como Cristo amou significa morrer para nossas próprias necessidades e nossos próprios desejos para poder encontrar uma nova vida em Jesus. Pensando mais profundamente, podemos entender que Deus nos chama para uma tarefa muito simples: cuidar das outras pessoas antes de cuidar de nós mesmos. Que tipo de pessoas seríamos se obtivéssemos tudo o que desejamos? Se nunca precisássemos nos preocupar com nada a não ser nossas próprias preocupações e desejos? Jesus nos pergunta: qual é a vantagem de obter tudo o que queremos, mas no processo perdermos a nós mesmos?

A MESMA FACILIDADE PARA PERDOAR

E, quanto ao perdão? Quais são as regras que se aplicam a essa prática? O que realmente significa perdão?

Estudando a idéia de perdão no contexto bíblico, entendemos que ele tem duas faces. A primeira, que diz respeito a “cancelar o débito, perdoar ou remir o culpado”. Esse é o sentido pelo qual todos sempre entendemos o perdão, como o entendemos. Mas, há uma segunda definição de perdão, que é abrir mão do ressentimento contra a pessoa que nos ofendeu. Isso é muito mais difícil de entender. Até somos capazes de cancelar a dívida, mas como podemos nos livrar do sentimento?

Primeiramente, precisamos entender os problemas resultantes de não nos liberarmos desse sentimento. Quando somos ofendidos de alguma forma, e mesmo que ofereçamos perdão, ainda cultivamos em nós mesmos o sentimento de querer ver a outra pessoa passar por algum tipo de castigo por ter agido daquele jeito conosco. E, dependendo dos fatores, esse sentimento pode se tornar num ressentimento ainda mais profundo. Só que, manter esse sentimento não nos serve para nada. Pode ser comparado a tomar um vidro de veneno esperando que a outra pessoa morra. Não leva a nada, e ainda assim nos deixa piores. Se não nos livrarmos do sentimento, poderemos até mesmo ter os sintomas físicos e ficarmos doentes. Praticar o segundo aspecto do perdão nos mantém saudáveis e equilibrados, e nos ajuda a manter a paz mesmo em meio à tempestade.

Mas, como obter isso? Uma das grandes dificuldades dos conselheiros matrimoniais frequentemente enfrentam é ajudar marido e esposa a encontrarem uma saída para seus ódios e ressentimentos que se acumularam com o passar dos anos. A solução quase sempre está em arrependerem-se e perdoarem um ao outro. Ressentimento e ódio levam a ações que causam ainda mais sofrimento.

O grande fator motivador dessa atitude deve ser o fato do que Deus faz por nós. Como é dito na passagem de Salmos 103:8-12, O Senhor é compassivo e misericordioso; demora a irar-se e é grande em amor. Não acusará perpetuamente, nem conservará Sua ira para sempre. Não nos trata de acordo com nossos pecados, nem nos retribui segundo nossas transgressões. Pois Seu amor para com os que o temem é grande, tanto quanto o céu se eleva acima da terra. Como o Oriente se distancia do Ocidente, assim Ele afasta de nós nossas transgressões. Deus escolhe não nos tratar como merecemos. Ele escolhe até mesmo se esquecer do mal, e não nos acusar. Ele baseia as ações em Seu amor e em Sua misericórdia.

Ainda assim devemos nos lembrar de que mesmo quando nos arrependemos e somos perdoados, ainda teremos de enfrentar as conseqüências dos atos errados que tomamos. E até, em algumas ocasiões, perdoar no sentido de cancelar a dívida não estará sob nossa responsabilidade, especialmente se o ofensor não procurar nosso perdão.

Ainda assim, Deus nos apresenta o caminho que devemos tomar: o processo de reconciliação. Porque Deus tem nos perdoado, e continua nos perdoando sempre que erramos, Ele pede que Seus filhos se reconciliem uns com os outros. Seja porque nós fomos a parte que ofendeu, ou mesmo se formos a parte ofendida, tanto Mateus 5:23-24 ou 18:15 nos dizem que somos responsáveis de buscar reconciliação. Isso mesmo, não importa quem iniciou o problema, somos responsáveis por tentar esclarecer e encerrar a discussão. Por isso, quando você ou seu cônjuge se desentenderem, você é responsável por dar o primeiro passo em busca da reconciliação. Assim fazendo, talvez a pessoa não seja completamente transformada, ou não entenda completamente o que está acontecendo, mas com certeza você experimentará a paz de Deus, que inundará o seu coração.

CONCLUSÃO

Mas, será que isso é realmente possível de colocar em prática? Será que poderemos ser vitoriosos com tudo isso? Num artigo em um jornal cristão chamado Jornal do Discipulado, contou-se a história de uma mulher que foi a uma clínica para emagrecimento para perder peso. O diretor da clínica lhe deu um espelho de corpo inteiro. Nele, ele desenhou um corpo humano, e disse: “É assim que quero que você esteja quando terminar a sua estada aqui”. O que se seguiu foram dias de intenso exercício e muita restrição alimentar, e a cada semana a mulher se colocava na frente do espelho, mas se sentindo desencorajada porque seus contornos ainda se sobressaíam à imagem no espelho, e assim ela não se encaixava no ideal proposto pelo diretor. Mas ela não desistiu, e finalmente chegou o dia em que ela se encaixou perfeitamente na imagem tão desejada.

Ser como Jesus, refletir a Sua imagem em nossa vida pode parecer uma tarefa muito árdua e difícil. Pode ser que até já tenhamos tentado isso, mas sem sucesso. Pode ser que tenhamos os melhores desejos e vontades, e façamos os melhores planos, mas estamos em débito quanto à realização dos mesmos. Se esse é o seu caso, quero lhe lembrar que o Seu casamento refletirá o amor de Deus se você O permitir encher, controlar e capacitar você a viver a vida em seu lar. Não perca a ligação com Ele, e todo lhe será acrescentado.

Que Deus abençoe sua família

Osmar Reis Junior

Psicólogo do CEAFA

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Como namorar seu marido?

Por que se preocupar em sair para namorar com seu marido?
Uma saída especial de vocês é um antídoto para a mesmice do casamento. Isso pode dar uma nova perspectiva para a vida e um para o outro. Além disso, pode ser um ótimo momento para a mulher se concentrar nos gostos, necessidades, anseios do marido, sem a visão egoísta. Planejar uma experiência com o único propósito de trazer alegria para seu marido terá um efeito saudável em você.

Além disso, seus filhos precisam ver adultos que se amam e gostam da companhia um do outro, e por isso consideram o tempo que precisam passar juntos tão importantes que adaptam suas agendas para fazer isso. Assim, você vai estar mostrando para eles que o namoro pode ser de tal forma que eles também estabeleçam altos padrões para quando eles mesmos começarem a namorar.

Namorar também serve para criar um grande número de memórias. Quanto mais memórias positivas vocês tiverem para relembrar, mais convencidos vocês podem estar quanto à percepção de que o futuro pode ser ainda melhor.

Aqui estão algumas idéias para que você possa começar a estabelecer algo que pode se tornar uma tradição muito querida:



Torne esse momento algo PESSOAL
Para transformar esse momento em algo pessoal, inclua nos planos tudo o que você souber que é da preferência de seu marido. Quem sabe jantar no restaurante preferido dele, assistir um filme com o ator preferido dele, ou parar na sorveteria que ele mais gosta e pedir aquele sabor exótico que só ele gosta. Quem sabe você tenha condição até mesmo de dar pra ele uma blusa de frio da cor e do modelo que ele mais gosta, usar o perfume e se vestir do jeito que ele prefere, ou até mesmo colocar as músicas preferidas dele para tocar no carro.

Torne esse momento algo ÚNICO

Promover um momento no qual vocês saiam da rotina e da previsibilidade da vida pode ser um presente muito revigorante para seu marido. Aqui estão algumas idéias que voce pode usar para criar um “dia de fuga”: um passeio no zoológico ou no aeroporto para observar as pessoas; visitar os pontos turísticos de sua cidade; alugar um DVD ou fita de vídeo para assistir durante a noite em sua casa; ir ao circo da cidade; dormir no quintal, e fazer de conta que vocês estão acampando.

Torne esse momento MEMORÁVEL

A memória é mais frequentemente estimulada pelos cinco sentidos. Para criar um momento inesquecível, planeje suas atividades de maneira que ele seja super estimulado pelas impressões sensoriais. Use um perfume novo, prepare um jantar saboroso, coloque para tocar um CD que ele nunca tenha ouvido, use uma roupa nova ou mude o corte de cabelo.

Use o trabalho em equipe

Sinta-se livre para envolver familiares, amigos ou até mesmo colegas de trabalho no seu programa. Voce pode descobrir quem estaria disposto a ajudar, e então criar um momento com um ambiente e pessoas inesperadas. Mas lembre-se de criar um roteiro de forma que, mesmo as pessoas sendo conhecidas, cada uma faz a sua parte, como se fossem atores.

Com os mais diferentes e deliciosos humores, e sues benefícios, essa momento maravilhoso chamado de namoro é muito valioso para ser descartado quando você entra pelo corredor. Liberte sua criatividade, e invista em sua vida.

REFERÊNCIA: FIELDS, Doug & TEMPLO, Todd. How to Date Your Husband, Partneship Magazine, July/August 1986.

domingo, 27 de novembro de 2011

O papel do sexo no casamento cristão

O mundo moderno é enfeitiçado pelo sexo. Os programas de televisão, propagandas comerciais, internet, outdoors, e até mesmo livros escolares não se cansam de falar no assunto. No trabalho, são frequentes as piadas ou conversas que tratam do tema. Esse parece ser o tópico preferido do ser humano.

Homens e mulheres possuem visões diferentes a respeito do sexo. Para eles, o sexo representa o início de uma relação íntima mais profunda. Para elas, representa a conclusão da intimidade.

Em nossa época, falamos e ouvimos sobre sexo mais do que nossos pais e nossos avós. Porém, entendemos bem menos. Por quê? Porque não paramos para pensar sobre qual é o verdadeiro significado da relação sexual em nossa vida diária. Seja sincero: o que o sexo representa para você? Já havia pensado nisso antes? E mais importante ainda: qual é o propósito de Deus com o sexo? Deus nos fez criaturas sexuais, e por essa razão, é preciso entender qual o padrão de relacionamento íntimo foi designado por Ele, ao nos criar.

Entendendo o desvirtuamento do sexo

O sentido da sexualidade do casamento tem, com o tempo, perdido muito do seu propósito original. Algumas pessoas tendem a colocar a sexualidade como o ponto principal, a razão maior para o casamento. Outros buscam colocar a sexualidade num plano mais baixo, sendo necessário apenas para a reprodução. Entretanto, uma sexualidade saudável não é algo que simplesmente diz respeito apenas ao ato sexual.

Na Bíblia, em Gênesis 2:25, há um texto que diz: “E ambos estavam nus, homem e sua mulher, e não se envergonhavam”. Refletindo sobre ele, podemos ver que quando o homem e a mulher foram criados, ambos estavam nus, e não se envergonhavam. Ambos estavam completamente expostos. Nenhum dos dois tinha nada a esconder da outra pessoa. Sua intimidade era tanta, que ambos se viam por completo, e não se envergonhavam. Não havia traumas, sofrimentos, tristezas, mágoas, nada. Eles não tinham qualquer parte um do outro que não entendiam. Estavam completamente ligados tanto emocional, quanto espiritual e intelectualmente. Tudo isso era representado pela ligação física.

Esse é o propósito de Deus para o sexo no casamento. É para ser um aspecto concreto que reflita um relacionamento de intimidade que ultrapasse a questão física. É para ser um elemento que lembre ao casal o quanto ambos estão próximos com respeito aos outros aspectos da vida. A intimidade física será satisfatória quando as intimidades sociais, intelectuais, emocionais e até espirituais estiverem de acordo. Por isso que quando um casal discute, ou quando um casal briga, não é possível para a maioria pensar em ter momentos de intimidade. As coisas precisam estar bem emocionalmente para que possam usufruir do prazer físico.

Entretanto, com a entrada do pecado, essa perfeita intimidade, essa perfeita união foi quebrada. E assim, começamos a ter vergonha, a querer nos esconder, e não sermos satisfeitos com a maneira que realmente somos. E assim vivemos até hoje.

O Sexo hoje

O problema é que com o passar do tempo, parece que o desejo sexual deixou de ser uma coisa envolvendo o relacionamento total com a outra pessoa, e passou a ser simplesmente uma satisfação de desejos físicos. Ao invés de ser uma representação da união total, passou a ser um fim em si mesmo. É por essa razão que hoje muito se fala sobre o sexo, mas sem contribuir para a felicidade do casal.

Em geral, as conversas sobre sexo são relatos factuais, ou mesmo clínicos, nos quais as pessoas se mostram cada vez mais fascinadas com o mecanismo da relação sexual. Os mais velhos não gostam de falar abertamente sobre a relação. Dão uma piscadinha de olho, falam por meio de metáforas, ou mesmo ao invés de citar as coisas, simplesmente se calam com vergonha. Já os mais novos, desenvolvem uma maneira de falar que demonstra ao mesmo tempo que se interessam, mas que nada entendem. Só que têm vergonha de perguntar a seus pais, e por isso, acabam tendo como fontes de informação seus colegas. E assim crescemos com respeito ao sexo. Apesar de vivermos numa sociedade sexualizada, pouco ou nada sabemos em realidade acerca do real propósito do sexo.

Quatro Verdades Bíblicas sobre o Sexo

Deus nos criou com o desejo sexual. Algumas pessoas pouco informadas chegam a pensar que o sexo foi o que fez Adão pecar. Mas não é isso. Deus criou o sexo para que ele completasse a felicidade no casamento.

Para alguns cristãos isso parece uma blasfêmia, por isso gostaria de apresentar aqui quatro argumentos baseados na Bíblia para comprovar isso que estou falando:


*Sexo expressa Amor. Não há palavra mais gasta e mais usada em nosso vocabulário que amor. Eu amo minha mãe, minha esposa, bolo de chocolate, e até minha roupa nova. Falamos tanto essa palavra, e em tantos contextos, que perdemos de vista o seu real sentido. Alguns até se referem ao sexo como “fazer amor”, só que na prática mesmo, só querem receber. O sexo conforme Deus idealizou é um tipo de relação que traz segurança para o casal. Por quê? Porque no sexo que Deus idealizou, cada um está preocupado em dar prazer ao outro, e não simplesmente receber. Ouvi certa vez uma pessoa dizendo que não se preocupava com o fato da mulher não ter o mesmo prazer que ele na relação. “Eu estou aqui. Se ela não conseguir, a culpa é dela”. O amor que deve realmente ser expressado na relação sexual é aquele que se preocupa com o bem estar da outra pessoa, que respeita os momentos em que ela ou ele não estão dispostos, e que também se preocupa com o antes e o depois. Toma tempo para preparar a outra pessoa, permite que o clima seja criado. E cuida de si também, se mantendo asseado(a), limpo(a), preparado(a) tanto física quanto emocionalmente.


*Sexo é Diálogo. O homem e a mulher são fisicamente atados um ao outro desde a criação. Deus criou a mulher da costela de Adão. E desde então, o homem tem nascido da mulher. Ambos estão intimamente relacionados; eles ficam incompletos um sem o outro. Por isso é besteira pensar que o casamento é simplesmente uma parceria entre duas pessoas independentes. O sexo demonstra de uma maneira física e literal que eles ainda são um. É como se fosse um diálogo físico. É uma maneira de participar completamente da vida da outra pessoa sem demonstrar medo ou egoísmo. Assim, na relação sexual, cada parceiro precisa estar sensível às necessidades da outra pessoa, pronto para responder, e paciente para deixar que a outra pessoa se expresse. E, se por acaso isso não acontece em seu relacionamento sexual, invista tempo, converse, dialogue e ore com seu cônjuge, e com o tempo Deus abençoará sua relação.


*Sexo traz Prazer. O mundo sem Deus nos faz pensar que o prazer é o único propósito do sexo. Não é. Só que parte da benção do sexo envolve prazer. E isso foi planejado por Deus. Podemos saber disso porque a mulher tem em seu corpo um órgão, denominado clitóris, cuja única função é dar prazer. Por que Deus colocaria isso no corpo feminino se ter prazer fosse um pecado? Outra maneira de percebermos isso é lermos o livro de Cantares de Salomão, no qual a relação entre marido e esposa é vividamente relatada por meio de expressões de prazer e satisfação (Ex. Cantares 1:7, 4:16; 6:3; 7:10).


*Sexo honra a Deus. Isso talvez seja a verdade mais difícil de se perceber. Muitas pessoas que têm uma visão de sexo mais profana, têm dificuldade de perceber que isso é parte da atitude de louvar a Deus. Podemos argumentar sobre isso citando o texto de I Coríntios 10:31: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus”. Tudo o que fazemos: comer, beber, dormir, conversar com nossos amigos, os negócios, e até mesmo a relação sexual – tudo deve ser feito de uma maneira que glorifique a Deus. E esse é o teste maior do seu amor por Deus. Será que Ele é honrado pela maneira como você e seu cônjuge se relacionam? Será que os anjos podem estar presentes, cuidando de vocês, durante seus momentos de intimidade?

Muitos manuais sobre sexualidade afirmam que os métodos são muito importantes para trazer prazer. Na perspectiva de Deus, e por Sua Palavra, percebemos que os motivos são tão importantes quanto a maneira que o sexo é feito. Se um homem ou uma mulher entram na relação sexual com motivos pervertidos ou egoístas, perdem um dos presentes mais maravilhosos dados por Deus. Eles O insultam.

Deus deseja fazer da intimidade física de seu casamento a concretização da união de vocês em todos os outros aspectos da vida. Não dá para considerá-lo separado das outras partes da vida a dois. Problemas em outra área da vida, terão reflexo na relação sexual. Mas, Deus está sempre pronto a nos conceder uma sexualidade plena se O permitirmos tomar conta de nossa vida.

Que Deus abençoe sua família,

Osmar Reis Junior e Bruna Mateus Rabelo dos Reis

Psicólogo do CEAFA e esposa

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A Família Cristã no 3º Milênio

Ao estudar a família numa perspectiva sociológica, pressupomos o fato de que toda sociedade reconhece a família como instituição e como grupo social básico. A família "é de fato a instituição à qual devemos nossa humanidade. Não conhecemos outra maneira de formar seres humanos... capazes de atuarem como homens e mulheres, os quais por sua vez formem famílias e criem filhos, senão através da família". Em toda sociedade conhecida, quase toda pessoa vive submersa em uma rede de direitos e obrigações familiares adquiridas através de um extenso processo de socialização, que inicia com o nascimento. A família não cumpre somente a função de procriar e de sustentar fisicamente o indivíduo, mas também é o principal meio de transmissão da cultura de uma determinada sociedade.
A influência da família na vida de uma pessoa é tal, que mesmo nas sociedades mais industrializadas, onde as pessoas parecem haver perdido suas raízes e aparentam viver anonimamente, tais pessoas estão em constante integração com outros membros da família. "Não importa quão educada, inteligente, importante e madura seja uma pessoa, estudos tem comprovado que ela reage igualmente à crítica dos pais ou às brincadeiras dos irmãos". Ainda quando os laços familiares são cortados por completo ou quase por completo, como acontece com habitantes da zona rural na América Latina que se mudam para as grandes cidades em busca de trabalho, a família extensa (tios, primos de 2ºgrau, etc.) assim como os compadres (um tipo de parentesco fictício), passam a ter especial importância.
A importância da família em toda a sociedade nos leva a comprovar que cumpre funções muito importantes para a vida humana e social. Vamos enumerar cinco da funções mais importantes da família em geral, explicando-as desde uma perspectiva latino-americana. Estas funções são:

1-Satisfação das necessidades sexuais
2-Procriação
3-Unidade de residência
4-Função econômica
5-Socialização das novas gerações
Em primeiro lugar, a família, por meio da relação marital, faz provisão para satisfazer as necessidades sexuais de seus membros adultos. O sexo é um impulso tão poderoso que em nenhum lugar é permitido expressá-lo sem limites estabelecidos. A expressão sexual sem limites ameaçaria as relações de cooperação necessárias dentro da família de dentro da sociedade. Em sociedades ocidentais, e sobretudo no meio ambiente cristão, a relação sexual fora do matrimônio recebe diversos tipos de sanções. Há sem dúvida sociedades e grupos humanos nos quais é dada bastante liberdade sexual aos adolescentes antes do matrimônio. Se o sexo fosse a única ou pelo menos a razão maior para o matrimônio, supomos que muitos desistiriam de casar-se. Porém sucede que não é assim. Em muitas sociedades encontramos a tendência de só conceder completa identidade adulta aos membros casados. De modo que a satisfação sexual é apenas uma das funções da família.

A PERSPECTIVA NO 3º MILÊNIO:

Dois movimentos caminham paralelos neste final de Milênio e apontam para o milênio seguinte como duas correntes que irão disputar a primazia em relação aos seus postulados:
O primeiro movimento é o da BIOLOGIZAÇÃO do sexo, ou seja, o sexo pelo sexo, desvinculado do afeto, do compromisso e da cumplicidade. Dentro desta perspectiva, há o nítido reflexo de todo o movimento de individualismo apregoado pelo NEO-LIBERALISMO. Importa é a sua satisfação pessoal, mesmo que para isto seja necessário utilizar o OUTRO, de forma mecânica e descartável. O EU é o elemento importante, tanto para homens como para mulheres. Entre os jovens esta tendência já se manifesta no FICAR, que é uma experiência sexual (nem sempre genital, descompromissada de busca do prazer do momento.
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Este movimento deve ser entendido como a seqüela de uma sociedade desesperançada, onde os ideais mais altos de igualdade, fraternidade e solidariedade foram destruídos em 2 guerras mundiais e inúmeras outras regionais e locais, por ditadores frios e impassíveis, como no caso de nossa América Latina e pela filosofia dominante do American Way of Life, no melhor modelo Bill Gates, que alcança a realização total sem necessitar do outro!
A outra corrente, que timidamente ressurge, em meio a proliferações viróticas do HIV, é o retorno ao compromisso, à moral e aos costumes do século passado, com a moral vitoriana. As campanhas de "Quem ama espera"!, surgida em meio às igrejas batistas do sul dos Estados Unidos ganha campo (mesmo aqui no Brasil - Segura o Tchan!), especialmente pelo fato de os Estados Unidos serem os campeões mundiais de vítima de AIDS, só perdendo em proporções populacionais para Uganda (pelo fato da população ser numericamente muito inferior neste país). Ainda que em um resgate de valores vitorianos, as perspectivas deste movimento ainda não tem como pano de fundo um resgate à solidariedade e ao companheirismo, mas a motivação é o medo da pandemia aidética e mais uma vez o centro é o próprio umbigo.
Em segundo lugar, a família é a unidade de reprodução. Espera-se que as relações sexuais entre marido e mulher resultem na procriação. O fato de que em toda sociedade as crianças são atendidas e cuidadas indica o fato da importância das crianças, não apenas pelo afeto natural que a relação filial produz, mas também pela necessidade de sobrevivência do grupo. Desde uma perspectiva bíblica cremos que a função de procriação posta a cargo da família corresponde à imagem de Deus no homem e à tarefa de "encher a terra, e sujeitá-la" (Gn. 1:26-28). Isto quer dizer que a procriação não é meramente uma função biológica para que a raça humana seja preservada, mas sim uma função espiritual por meio da qual os seres humanos colaboram com Deus na "criação" contínua da vida nesta terra. Por isso na tradição judaico-cristã o sexo e a procriação estão intimamente ligados ao amor, à responsabilidade, e à família.

A PERSPECTIVA NO 3º MILÊNIO:

Estão aí, recém editadas, as conclusões do HABITAT II, e a preocupação mundial no crescimento populacional e de como isto afeta as estruturas urbanas. A perspectiva é, no mínimo, sombria. O pânico geral ocorre quando nos defrontamos com modelos como o da China comunista, onde a limitação da reprodução, estabelecida por lei, se violada, leva ao infanticídio em massa (e não estamos aqui falando de abortos legais, como ocorrem nos USA e países europeus).
Uma das mais cinzentas perspectivas para o III Milênio para nós é de que possivelmente veremos limitada a liberdade de termos bisnetos (talvez já netos) em face ao crescimento populacional, salvo se emergirem catástrofes e guerras que logrem um descenso populacional.
A ingerência do Estado na política populacional na América Latina já se faz sentir através dos planos de controle familiar que tem sido propostos por legisladores no Congresso. A Igreja Católica é ainda o baluarte de maior impedimento para uma implantação de controle de natalidade a nível mundial. Em países de primeiro mundo, com a facilitação do aborto, uma propaganda massiva e a omissão de uma teologia evangélica cristocêntrica que valorize a vida, as leis são o senso comum, que na maioria da população dita que melhor é ter um animal de estimação que um filho. Mais uma vez se faz sentir a ideologia NEO-LIBERAL, centrada no indivíduo, onde a maior preocupação é com a realização pessoal da mulher profissional, com seu aspecto maternidade sendo um obstáculo para tal consecução. Além disto a ideologia hedonista da valorização do corpo e a busca da manutenção dos modelos idealizados pela sociedade tornam assustadora à mulher a idéia da disformidade no corpo que possa ser causada pela gravidez.
Em terceiro lugar, a família oferece uma unidade comum de residência. Em sociedades tradicionais é possível encontrar núcleos de convivência familiar que incluem avós, netos, tios e outros parentes. A medida que uma sociedade se torna mais industrializada, o lar inclui somente a família nuclear (pai, mãe e filhos). Na América Latina é muito comum se constatar que o lar abriga quase sempre alguém mais que os membros da família nuclear: parentes, empregados, etc. Isto provê um meio mais natural de socialização às crianças, e uma transição menos dolorosa entre a adolescência e a vida adulta. Entende-se por unidade de residência não somente o teto abaixo do qual as pessoas habitam, mas também as atividades que ali se realizam, e que dão à família um sentido de grupo. A família como "comunidade de mesa" cumpre muito mais que simplesmente a função nutritiva. A moderna divisão do trabalho vem afetando de maneira muito profunda esta função unificadora da família na América Latina. Sem dúvida, a comida ao meio‑dia é também a reunião familiar mais importante, e as pessoas resistem à implantação de horários corridos de trabalho.

A PERSPECTIVA NO 3º MILÊNIO:

A casa tem se tornado, a cada dia que passa, cada vez menos um local de convivência de seus membros para transformar-se em um albergue semanal e transitório. As demandas de tempo que nos são imprimidos pelo ritmo hodierno, nos impedem de desfrutarmos grandes momentos de convivência familiar.
Muitos pais vivem hoje sob um "INFATARCADO", sempre com o objetivo de tornarem os filhos mais e mais competitivos. Muitas mães reduziram suas funções no lar a de motoristas dos filhos, que imperiosamente necessitam ir à mil atividades para-escolares (ballet, música, judô, natação, informática, etc...). O esgotamento em finais de semana leva a um isolamento televisivo futebolístico do pai e em geral à shoppingmania dos filhos, sempre monitorados pela mãe-piloto.
A competitividade leva também ao isolamento social. A casa não é mais local de encontros de famílias. Estes acontecem nos restaurantes e em locais públicos (clubes, parques, etc...), onde as formalidades superam as intimidades. Salvo na população de baixa renda, onde existem o que denominamos de "comunidades de pátio" onde a solidariedade da falta cria vínculos fortes até no desvio da legalidade (haja visto o tratamento de bem-feitor que recebem os traficantes nas favelas).
Isto aponta para o "Admirável Mundo Novo" de Huxley? Talvez não literalmente, mas muito próximo figurativamente, onde as pessoas são programadas para liderar e vencer e as que estão "fora do sistema", as marginais, são ameaças!
A quarta função da família é a econômica. A família é a unidade primária de cooperação econômica. Esta cooperação está baseada nas diferenças biológicas entre homem e mulher, e está reforçada pela divisão sexual do trabalho que define o meio social particular. Quase em todo o grupo humano os homens se encarregam das tarefas que exigem mais força física, enquanto que o livre movimento das mulheres está limitado pela gravidez e pela amamentação. Nem a mulher, nem o homem podem funcionar eficientemente sem a ajuda do outro. A grande maioria das famílias já funciona como uma unidade de trabalho, produção e consumo. Mesmo assim, ainda restam algumas zonas rurais na América Latina onde se cultiva a terra com instrumentos rudimentares, e algumas áreas nas cidades onde a vida da família depende de um ofício no qual todos os membros devem colaborar. Porém, nem mesmo nestes casos a família pode sobreviver como uma unidade econômica fechada. Quanto mais uma sociedade se industrializa, mais a função econômica da família se modifica.
Mesmo nas sociedades altamente industrializadas observamos a divisão do trabalho na família. O pai em geral é o principal responsável pela provisão material e o sustento da família, a mãe cumpre tarefas domésticas, e os filhos têm tarefas específicas, como lavar pratos, tirar o lixo, cortar a grama, cuidar dos irmãos menores, etc. Na América Latina, em setores predominantemente agrícolas, a contribuição econômica dos filhos é muito destacada. Igualmente, os velhos contribuem de diversas formas para o sustento de si mesmos e da família. A chegada à velhice em tais sociedades é menos crítica e mais compensatória pelo respeito oferecido aos anciãos e pelos laços familiares que são mantidos. Esta é a razão pela qual o estabelecimento de lares para idosos não tem florescido na América Latina. Pelo contrário, é considerado como uma negação da responsabilidade familiar para com o ancião e como um estigma social.

A PERSPECTIVA NO 3º MILÊNIO:

Este talvez seja o elemento mais marcante de mudança na família para o terceiro milênio. A competitividade social e as demandas do mercado de trabalho impelem para que haja a participação mais efetiva da mulher/esposa/mãe. Para acompanhar o mundo da tecnologia e o descartável, é necessário um ingresso maior de recursos financeiros, fazendo com que a contribuição exclusiva do homem não seja suficiente.
Além disso todo o movimento de liberação da mulher, que muito contribuiu para a desmitificação da hierarquia social e a revalorização da mulher, trouxe como seqüela o medo de ser considerada disfuncional em um mundo em que os valores do trabalho e da realização profissional passaram a ser regra áurea.
Temos ainda que levar em conta os novos modelos familiares, muito comuns aqui na América Latina, que é a família de um só progenitor (em geral a mãe), que tem que fazer a dupla função de provedor do lar (de fora para dentro) e de administrador do mesmo (de dentro para fora).
A crise econômica mundial também gera a mão de obra infantil, algumas vezes escrava, outras vezes na marginalidade das ruas, sempre fator de preocupação mundial. Cresce nos setores marginais as famílias que são sustentadas pelos filhos nas ruas - e as agressões pela falta de provisão leva à adoção da rua como unidade de residência!
A quinta função da família é a socialização de seus membros. Mesmo nas sociedades altamente especializadas, a família tem a responsabilidade básica da socialização da criança durante seus primeiros anos. Por "socialização" entendemos o processo pelo qual a criança aprende como os outros na família esperam que ela se comporte, e por meio do qual ela mesmo chega a sentir que essa é a maneira tanto correta como desejável de atuar. A família é que dá a cada indivíduo, desde o seu próprio nascimento, sua primeira identificação social. O processo de socialização é muito mais complicado que o mero cuidado físico, e envolve a participação de todos os membros da família. Os varões aprendem, em parte de seus pais e em parte de suas mães, como comportar-se com os membros do sexo oposto. Igualmente, tanto o pai como a mãe ensinarão à menina como chegar a ser mulher. Quando um dos pais está ausente, temporal ou definitivamente, as crianças buscam a figura paterna em um tio, avô, primo adulto, etc. O mesmo sucede com a figura materna. Quanto mais elaborada é uma civilização mais agentes intervêm no processo de socialização. Isto nos mostra que para uma formação espiritual adequada ou "socialização cristã" de nossos filhos, o lar tem um lugar insubstituível na formação de valores, normas, atitudes e conduta cristã. Nem mesmo a igreja pode suprir a formação espiritual que a família não provê.

A PERSPECTIVA NO 3º MILÊNIO:

A delegação desta função aos "Técnicos" é cada vez mais patente em nossa sociedade e deve ser o modelo predominante no virar do milênio.
Já cedo as creches são a provisão indicada para os pais atarefados em busca do equilíbrio contábil. Dali os Jardins de infância e as escolas - preferencialmente de ensino integral, ou a absorção de meio período, como já citado em uma centena de atividades de aperfeiçoamento pessoal.
Não se pode desconsiderar a figura do psicólogo, como o firme e infalível referencial de muitos pais que, querendo ser "diferentes", perderam o Norte em seus modelos educacionais.
A literatura cristã tem proliferado neste sentido e os cursos específicos que falam sobre relações pais/filhos tem sempre demanda maior que oferta. Nossos filhos da sociedade, é o que aponta o modelo da geração vindoura.
A socialização pelos meios de comunicação de massa, em especial a TV, é também o recurso a que muitos pais tem lançado mão com freqüência sistemática. A babá eletrônica, sem censura e sem critérios é o deformador nº 1 de mentalidades infanto-juvenis.
Correndo por fora a informática via INTERNET, com o mundo a seus pés é outro elemento socializante - ainda que por vias individualizantes. Me comunico com o mundo todo sem ver a face do outro - tudo é intermediado pela máquina!
Carlos T. Grzybowski

O que os Homens Esperam das Esposas

A letra de uma antiga música popular brasileira (“Emília”) dizia: “Eu quero uma mulher que saiba lavar e cozinhar; e que de manhã cedo me acorde na hora de trabalhar”. Esta afirmação reflete muito do machismo cultural do povo brasileiro, que vê na relação conjugal a esposa como serviçal: Amélias e Emílias da vida.
Tal machismo remonta os primórdios de nossa colonização pelo ‘civilizado’ homem europeu, que chega ao nosso continente, usa as nativas para a sua satisfação sexual egoísta e vai embora, não constituindo família e retornando para seu lar, que havia ficado sob os cuidados e administração de sua esposa.
O machismo histórico brasileiro cria duas fantasias a respeito da mulher: a mulher serviçal que deve ficar em casa e cuidar da administração do lar e da educação dos filhos, servindo ao marido em todos seus mimos quando este retorna para casa; e a mulher sensual, fogosa, cheia de volúpia e pronta a dar o prazer sexual ao homem desejoso.
Estas fantasias são, na mente masculina, irreconciliáveis e isso leva muitos homens a tratarem mal suas esposas e terem casos fora do casamento.
Na realidade o que realmente o homem espera de sua esposa é uma mulher que o ajude na construção de sua auto-estima!
A sociedade impõe, a cada dia que passa, uma performance cada vez maior ao homem, tanto em sua vida pessoal como profissional e isso faz com que este homem sinta-se incapaz de atender todas as expectativas e demandas que se lhe impõe. Sente-se fragilizado e necessita de alguém ao seu lado que o incentive e ajude nesta caminhada.
Essa é a principal tarefa da esposa: auxiliar na construção da auto-estima de seu marido e, em última instância é o que os maridos esperam de suas esposas. Nesse sentido ela cumprirá o seu papel de “ézer knegdo” (do hebraico: auxiliadora idônea), como descrito em Gênesis 2.
Não uma auxiliar de serviços, como culturalmente e erroneamente este texto tem sido interpretado muitas vezes, mas como alguém que vem em meu auxílio para me ajudar em algo que eu não posso sozinho. (o mesmo termo é atribuído a Deus quando nos Salmos nos diz que Ele é nosso auxílio e socorro bem presente no momento da tribulação).
Assim a esposa cumpre um papel que não pode ser cumprido por qualquer um, pois é necessário um nível alto de intimidade para aceitar a ajuda, ou mesmo para reconhecer que necessita ser alentado na construção de sua auto-estima.
Lamentavelmente nosso machismo cultural não só leva o homem a bloquear sua percepção desta necessidade, como a recusar qualquer tipo de auxílio de sua companheira para seguir adiante na valorização de si de forma saudável e positiva. Como conseqüência desta negação, o homem se isola em seu ‘ninho televisivo’ ou afunda-se em compulsões (álcool, drogas, esportes, etc.) e relaciona-se com a esposa num padrão objetal (uso do outro) e eternamente insaciável – sempre insatisfatório (a não ser que a esposa vire ‘Amélia ou Emília’ – serviçal no lar – e aceite que o marido tenha suas musas/amantes fora do lar; mas aí será a esposa que terá que anular sua auto-estima).
Reconhecer que o modelo idealizado por Deus na criação é um modelo de saúde integral para a relação conjugal e buscar viver neste padrão – não a partir da interpretação cultural machista que muitos impõe ao texto – é sem dúvida o melhor que o casal pode fazer na busca da realização conjugal. E esta é uma tarefa de construção contínua...
Carlos T. Grzybowski

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O que faz um Casamento Funcionar?

Algumas vezes sou deparado com a pergunta: “Como você pode estar tanto tempo casado com a mesma mulher e continuar apaixonado por ela?”
Penso que não se trata de apenas um fruto do acaso ou de, como existe no imaginário popular, achar a pessoa certa – a metade da laranja! São vários os fatores que contribuem para o sucesso no casamento e gostaria de discorrer sobre apenas alguns deles.
Em primeiro lugar eu creio que o casamento é um espaço para a aprendizagem. Quando eu estou aberto a aprender com o outro que é diferente de mim, estou em constante processo de crescimento. Muitos casamentos acabam porque as pessoas não querem crescer. Acreditam que a sua forma de enxergar o mundo é a única correta e que nada vai faze-los enxergar a realidade diferente. Assim vêem na diferença uma ameaça e fonte de constante atrito e não uma oportunidade contínua de ser despertado para ver a realidade de uma forma diferente e, ainda por cima, por alguém que me ama! Não conseguiram entender que AMBOS, homem e mulher são portadores da IMAGEM de DEUS (Gen. 1:26-28) e que são ontologicamente iguais, MAS funcionalmente diferentes e a diferença é outorgada por Deus como BENÇÃO para desenvolver a CRIATIVIDADE!
Em segundo lugar o casamento é um local de construção. Precisamos ter projetos comuns e perseguir sua construção. O mundo moderno conspira contra isso. O individualismo egocêntrico que permeia as relações sociais deságua no casamento e faz com que as pessoas construam projetos individuais e forcem o outro se adaptar ao seu projeto individual – o que não dá certo. Perdeu-se a noção do NOSSO! Precisamos criar uma história comum, cheia de aventuras, dramas e muita, MUITA diversão juntos – quando somos capazes de rirmos juntos de uma situação, a solução já está a caminho! Um estudioso do assunto escreveu:
“Educadores reclamam que pessoas jovens, hoje em dia têm muito pouco senso de história, eles vivem apenas o presente sem memória. Essa amnésia apresenta uma certa falta de raízes, e eu acredito que isso contribui para um alto índice de divórcios”.
Finalmente é preciso aprender a PERDOAR! Mesmo casais que se dizem cristãos têm, muitas vezes, dificuldades de perdoar. Criam a fantasia de um parceiro(a) perfeito e infalível. Quando percebem que o outro é humano e comete falhas, reagem com frustração e desprezo. Precisamos reconhecer que somos imperfeitos – em constante construção, mas ainda imperfeitos – e que como fruto desta imperfeição cometemos trapalhadas. Muitas vezes tentando acertar fazemos trapalhadas. O remédio: uma atitude humilde de reconhecimento das trapalhadas e um pedido sincero de perdão e, do outro lado, uma atitude perdoadora. Algo que eu pratico com minha esposa nestes nossos 25 anos de casado é ORARMOS JUNTOS todas as noites antes de deitarmos. Porque? Para que ‘o sol não se ponha sobre nossa ira’ – que é um princípio de extrema sabedoria na Bíblia. Quando nos colocamos lado a lado para orar ao Pai, temos que estar bem um com o outro – senão é ritual e não oração. E para estar bem precisamos conversar e pedir perdão e perdoar. Às vezes ficamos um bom tempo conversando antes de orarmos – pois acredite, eu também sou imperfeito – mas NUNCA fomos dormir sem estarmos bem um com o outro – e isso faz MUITA diferença!
Existem outros fatores igualmente importantes, mas creio que se começarmos observando estes pequenos princípios já estaremos dando passos gigantescos para termos casamentos que perdurem!
Carlos “Catito” Grzybowski
Psicólogo, terapeuta familiar, coordenador de EIRENE DO BRASIL, casado com Dagmar há 25 anos, pai de Sabine e Lukas 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

MEU CASAMENTO ACABOU!

O telefone tocou. Depois de atender e conversar por alguns segundos, pude perceber que a pessoa do outro lado da linha estava desanimada, desiludida e desesperada. Uma voz trêmula pronunciou as seguintes palavras: Jaime, não agüento mais! Vou me separar. Com dois filhos e um casamento de dez anos, meu interlocutor estava "pendurando as chuteiras". Mais uma vez a história se repetia. E cada vez com maior incidência. Tentamos por alguns meses salvar aquele casamento. Com tristeza, porém, esse foi um caso devido a constante infidelidade e a um não arrependimento, não houve possibilidade de restauração.
O que você diria e faria, se estivesse em meu lugar e tivesse casos como esse em suas mãos?


Confesso que há momentos em que, olhando para a situação, só tenho uma atitude: "Senhor, tem misericórdia!". Cada caso é um caso e há situações tão "embaralhadas" que somente o Espírito Santo pode nos dirigir e orientar. Após, algum tempo de aconselhamento, não chegávamos a lugar nenhum. Somente um dos cônjuges lutava para salvar o casamento enquanto o outro afastava-se cada vez mais. A situação tornou-se então insustentável! Buscando ao Senhor em oração, pude passar àquela pessoa algumas orientações de ordem prática, porém, a separação foi inevitável. Situações como essas, também produzem desgaste, tristeza e frustração ao conselheiro.
Você, querido leitor, poderia ser a pessoa do outro lado da linha! Gostaria então, daqui para frente, de dirigir-me a você que está percorrendo o árduo caminho da separação.
A experiência do divórcio é encarada diferentemente por cada pessoa, dependendo da idade, crise de identidade, capacidade de lidar com o assunto, relacionamento com o Senhor, etc...
É quase impossível alguém estar preparado para uma situação dessas. Relacionamentos e sentimentos mudam inesperadamente e a vida torna-se mais "enrolada" devido à complicações legais, traumas emocionais, reviravoltas econômicas, luta por uma nova identidade e auto-estima. Muitas vezes, recebe-se diferentes e confusas influências de filhos, familiares e amigos.
Se você está atravessando esse difícil momento, há de concordar comigo. Caso você esteja começando a pensar em divorciar-se, ore e avalie cuidadosamente o alto preço a pagar e as implicações de tal medida. Você e seu cônjuge poderiam canalizar toda essa energia na restauração de seu casamento. Esse é o desejo de Deus... mas a decisão cabe a vocês!
Embora não se chegue a morrer devido a um divórcio, é bem provável que o recém-divorciado passe a questionar a validade de continuar vivendo. Apesar do desânimo natural da situação, é necessário continuar. Tendo em vista preparar o caminho a seguir, gostaria de chamar a atenção para algumas áreas que possivelmente passarão por dolorosas mudanças:
1. Relacionamento com a família;
2. Relacionamento com amigos;
3. Solidão;
4. Saúde física.


1. Relacionamento com a família


É possível que seus pais e/ou filhos, não compreendam nem aceitem seu divórcio. Eles, como você, estão trabalhando com a própria perda do relacionamento. Haverá momentos em que experimentarão os mesmos sentimentos: tristeza, raiva, desencorajamento, culpa, etc. Sendo este último, normalmente relacionado a um exagerado envolvimento e a um assumir de responsabilidade desnecessário. Os pais precisam equacionar seus próprios sentimentos e desapontamentos em relação ao caso.
Após o divórcio, provavelmente haverá um período em que, você se sentirá tentado a colocar-se novamente sob os cuidados de seus pais. Cuidado! Mesmo que nessa fase seja atraente sentir-se abrigado e cuidado e é importante saber-se não desamparado, você deverá por si mesmo, assumir a responsabilidade de suas decisões. Caso seja necessário voltar a morar com seus pais, mesmo que temporariamente, permita e respeite os sentimentos deles, ao passo que também cuida dos seus.


2. Relacionamento com amigos.


Durante o processo de divórcio, será uma boa oportunidade para reconhecer a importância de bons amigos. Dentro de seu círculo, alguns amigos continuarão, outros não. Novos amigos surgirão, ao passo que amizades antigas esfriarão, especialmente entre casais. Será também importante que você identifique nas novas amizades, as reais expectativas, de forma a poder decidir os que serão seus novos amigos em sua nova fase de descasado. Será também uma fase de redescobrimento de sua identidade como indivíduo e não como uma das partes de um casal.
Enquanto você, durante o processo de divórcio está aos poucos assumindo o papel de descasado, seus amigos passarão por diversas reações.
Alguns tentarão assumir o papel de mediadores, tentando "consertar" seu casamento. Outros, externarão ansiedade e surpresa. Haverá inclusive alguns que lhe proporão uma relação sexual. É provável que amigos com problemas no casamento se aproximem e desabafem com você, enquanto outros poderão ter ciúmes, com medo que você possa "tentar" seu cônjuge. E, certamente encontrará os que assumirão o papel de "Cupido" e Santo Antônio, procurando outro par para você.
Ao verificar as diversas reações, é interessante perguntar-se: Caso eu desenvolva uma amizade com fulano, poderei ser autêntico, sem máscaras? Haverá possibilidade de um novo enfoque de amizade, sem o peso de uma cobrança relativa a um comportamento passado? O relacionamento será favorável ou não à minha auto-estima?
Será uma atitude sábia, se enquanto você estiver reconstruindo seu mundo, lembrar-se que é impossível para qualquer relacionamento a nível humano, suprir todas as suas necessidades.


3. Solidão


Cedo ou tarde, chegará o momento em que você se sentirá profundamente só. Esse sentimento poderá surgir em meio à uma multidão, à uma festa, quando tiver que tomar decisões importantes, ou quando a autocomiseração e desespero parecerem sufocar. Mesmo que todos nós seres humanos, já tenhamos passado pela solidão, o modo como ela se manifesta ao divorciado, é muito doloroso e característico à situação, sendo portanto difícil de ser compreendido por quem não percorreu esse caminho. Você pode até conseguir verbalizar seu sentimento a algum amigo, mas a profundidade da dor ficará lá no fundo de seu coração. Durante o processo em si, você se confrontará com solidão, tristeza, raiva, rejeição; embora dolorosos, esses sentimentos fazem parte da fase que você atravessa. Animo... o tempo passa e a poeira tornará a sentar-se!
Com a "morte" do relacionamento, será necessário que se percorra estágios de dor, como se realmente alguém tivesse morrido. Tal atitude poderá capacitá-lo a lidar com seu passado. Olhando para trás, você certamente identificará situações nas quais você não poderia ter agido de forma diferente. Em outras porém, concluirá que poderia ter tido outra reação. A volta ao passado pode ser doída, mas poderá ser uma oportunidade de fazer as pazes consigo mesmo, resolvendo suas culpas, redefinindo sua identidade e redescobrindo seu valor pessoal. A solidão que induz a uma introspecção positiva, pode tornar-se um agente terapêutico de restauração.
Reconheça sua solidão, mas não tente envolver-se o tempo todo com pessoas com o intuito de não querer estar só. Procure também, não manter rádio e televisão ligados ininterruptamente visando fugir de seus próprios pensamentos. Outra tendência, também será envolver-se excessivamente em atividades da igreja ou comunidade, como fuga. Dê um tempo para você. Reconheça a presença e genuinidade de seus sentimentos. Seu sofrimento tem razão de ser, você não pode simplesmente ignorá-los fugindo deles. Seria interessante se, como se travasse um diálogo com sua dor, explicasse a ela que à bem de sua vida como um todo, você não poderá permitir que ela o domine, mas que você estará tratando e cuidando dela nas horas certas.


4. Saúde física


As tensões do divórcio podem desencadear diversos sintomas físicos: dores na coluna, problemas de estômago, dores de cabeça, erupções cutâneas, etc... Não deixe de comer e nem de dormir. Procure manter uma dieta e rotina diárias o mais estruturada possível. Bons hábitos alimentares ajudam a superar os momentos de tensão emocional. Esteja porém atento e, caso haja continuidade dos sintomas físicos, procure um médico. Uma antiga receita, que oferece um grande alívio, é Isaías 26.3: "Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em Ti". I Pedro 5.7: "Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós". E muitos outros trechos como Salmos 31, 40, 42, 62, 86, etc., podem levar paz à alma aflita. Quando conseguimos lançar sobre o Senhor nossas preocupações, reputação e até mesmo o próprio divórcio, o peso torna-se mais leve. Se você, porém, achar que Deus espera algum tipo de perfeição de sua parte, as tensões do divórcio poderão aumentar seus sentimentos de inadequação, culpa, ira e amargura. O fato de adotar uma perspectiva bíblica, fará com que perceba que Ele está disposto a nos receber e nos ajudar mesmo em situações em que nos consideramos fracassados. Ele é especialista em reparar vidas, em construir sobre cinzas, mesmo sobre um divórcio.


Finalizando, gostaria de deixar seis sugestões:
1. Não viva exclusivamente no passado e nem faça projetos irreais para o futuro. Viva seu presente, seu dia-a-dia da melhor forma possível, dependendo da graça de Deus.
2. Procure desenvolver sua própria identidade como descasado, não projetando-se em outras pessoas.
3. Trate de seus sentimentos e quando a tristeza chegar, procure não entregar-se à autocomiseração.
4. Lembre-se, Deus o criou como um ser social. Procure não isolar-se das outras pessoas. Bons amigos valem ouro!
5. Não exerça pressão sobre você mesmo e nem receba pressão de terceiros no que diz respeito a um outro casamento.
6. Estabeleça limites para sua sexualidade e dependa da graça e poder de Deus para ser fiel consigo mesmo e com Ele.


Pr. Jaime Kemp
Líder do Ministério Lar Cristão
Conselheiro, conferencista e autor de vários livros relacionados à família.
Artigo publicado em 1990, na Revista Lar Cristão.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

DIVÓRCIO NA IGREJA: ELES TÊM O DIREITO DE SEREM FELIZES?

A separação conjugal é um assunto que permeia a sociedade. Na Bíblia, vários trechos referem-se ao divórcio. Em Mateus 19:3-12, Jesus responde aos fariseus, e fala que a carta de divórcio deveria ser dada à esposa caso seu marido não a quisesse mais. Porém, Jesus condenava a separação por motivos banais, eram aceitos os casos em que um dos cônjuges tivesse cometido adultério.

"As mulheres eram simplesmente repudiadas, lançadas para fora de casa. Sem a carta de divórcio, essas mulheres permaneceriam casadas, a carta foi fornecida para protegê-las", explicou o reverendo Fausto Brasil, idealizador do Ministério Apoio, que atua com solteiros, separados, divorciados e viúvos, por meio do aconselhamento e eventos.

 Reverendo da Igreja Presbiteriana de São Vicente, Fábio Ciribelli complementa que havia vários motivos para que uma mulher fosse rejeitada por seu marido:"Se elas queimavam o pão ou não temperavam a comida adequadamente, ou se não gostavam de suas maneiras, ou se não era boa dona de casa".

Ciribelli ressalta que o fim do casamento não é feito de acordo com a vontade de Deus e sim com a do homem: "O rompimento do vínculo matrimonial, uma vez consumado, seja ele sancionado ou não pelo poder civil, expressa a vontade do homem, jamais a vontade de Deus. Não é outro o sentido de Mateus 19.8: '... Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres, entretanto, não foi assim desde o princípio'".

A última opção

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), só no ano de 2007, foram totalizada 179.342 separações no país. Para cada quatro casamentos feitos, havia um divórcio.

Esses dados alcançaram também os bancos das igrejas evangélicas brasileiras. Tem sido mais habitual encontrar pastores divorciados, ou que estão em seu segundo casamento, ocupando os púlpitos. Esse é o caso de C. M., pastor de uma igreja no interior de Minas Gerais, casado com a mulher por quem nutriu sentimentos ainda em seu primeiro casamento. "O divórcio é o fim da linha. Quando se esgotam as possibilidades de reconciliação. O casamento torna-se uma hipocrisia", afirma o pastor.

Para o rev. Ciribelli, a separação conjugal é a última opção para um casal com problemas no relacionamento: "O divórcio configura-se uma solução extrema para matrimônios já destruídos. Ele não cria condições favoráveis ao rompimento do vínculo matrimonial nem mesmo conduz o casal à separação. O divórcio apenas confirma a disposição de se separarem, manifesta pelo homem e pela mulher, em razão da impossibilidade que sentem de conviver como marido e mulher".

Além das conseqüências emocionais, a separação conjugal traz outras implicações: "Quando acontece o divórcio você perde muito, mais perde do que ganha, em muitos casos. Perde amigos, status, a condição financeira às vezes cai para menos da metade. Muitas mulheres tiveram que voltar ao mercado de trabalho depois de estar há tempo sem trabalhar. Na maioria dos casos é mais fácil buscar restaurar o casamento do que divorciar-se e contrair um novo casamento", opinou o rev. Brasil, líder do ministério Apoio.

A Igreja e o divórcio

"O estímulo sempre deve ser dado no sentido de restaurar o casamento, mesmo porque é muito mais fácil do que casar-se novamente. [....]. Nós devemos continuar enfatizando o casamento, ajudar visando a restauração, mas entendendo que em alguns casos isso não vai acontecer. E na infelicidade dessas pessoas que não conseguirem restaurar seus casamentos, a Igreja precisa abraçar essas pessoas feridas e ajudá-las a se reerguerem na vida", afirma o rev. Fausto Brasil sobre o que aponta ser a missão da Igreja em relação ao divórcio.

O pastor Josué Gonçalves, terapeuta familiar e pastor sênior do Ministério Família Debaixo da Graça, também acredita que o divórcio é uma porta de emergência e não uma porta de saída para os matrimônios em crise: " A igreja não pode diminuir na sua pregação o valor do casamento, pelo contrário, comprometeremos a reputação do conteúdo doutrinário do Evangelho. No Sermão da Montanha, Jesus disse que ?estreita é a porta e apertado o caminho? e isso se enquadra também na questão do casamento. Antes de qualquer coisa, a igreja precisa ser um agente de cura para aqueles que precisam de um milagre no seu casamento".

Segundo o rev. Ciribelli, a questão do divórcio deve ser considerada à luz da Graça de Cristo: "De fato, ao romperem o vínculo do matrimônio, homem e mulher rebelam-se contra a vontade de Deus, mas tal ato de desobediência não é maior nem mais grave que os demais atos de desobediência contra Deus, praticados pelo homem. Assim, o perdão de Deus vale também para aqueles que fracassarem no seu matrimônio".

O ministério pastoral e o divórcio

Logo que se envolveu emocionalmente com outra mulher, ainda casado, o pastor C. M pediu ajuda aos seus líderes e retirou-se do ministério. Divorciou-se e casou com a mulher por quem se apaixonara.
"Eu não acreditava mais em mim. Achava que o meu ministério tinha acabado e que eu jamais teria condições morais de estar novamente em cima de um púlpito. Como iria orientar alguém sobre casamento, família? Precisei fazer terapia, desejava até a morte. Chorava muito e parecia que tudo havia acabado para mim", testemunhou o pastor C.M.

C.M. retornou ao púlpito, entretanto, sofreu perseguição e oposição de outros líderes evangélicos: "Eles não aceitam e não creem que alguém que caiu no divórcio e case com outra pessoa diferente possa estar à frente de uma obra. Eles aceitam perdão para o assassino que matou 30, 40 pessoas, para o pastor que rouba igreja e comete outros tipos de pecados, mas o divórcio parece que é o fim da linha", apontou.

Há 19 anos no ministério de famílias, Josué Gonçalves acredita que o adultério do pastor como motivo para uma separação tem resultados que transcendem a compreensão humana diante da graça de Deus: "Davi adulterou, mentiu, matou, e Deus não o excluiu, pelo contrário, o perdoou, mas ele pagou muito caro pelo que fez, a colheita foi dolorosa daquilo que ele plantou. A questão é que depois de uma tragédia desta na vida de um pastor, ele perde muito da sua autoridade para ministrar aquilo que mais defendeu. É o que vemos hoje acontecendo com muitos colegas no ministério".

Para o rev. Brasil, a razão do divórcio é que vai dizer se o pastor deve continuar no ministério ou não: "Eu conheço alguns pastores divorciados, eu diria que avalio caso por caso. Tenho colegas que o divórcio aconteceu porque suas esposas os abandonaram, simplesmente desistiram. Eu não posso ser tão radical, julgar um colega nessa condição. Se o pastor adulterou e segue sua vida e seu ministério, não interessa, ele é um adúltero. A minha orientação deve ser que ele pare com seu ministério e vá dedicar-se a outra área".

O divorciado

Na opinião de Brasil, que é organizador do Ministério Apoio, juntamente com sua esposa Nanci Wiesel Brasil, as pessoas divorciadas possuem sentimentos comuns, como culpa e vergonha. "Uma coisa que eu sempre digo aos divorciados é isso: 'Cuidado com a culpa e a vergonha, porque a culpa te afasta de Deus e a vergonha te afasta das pessoas. Se você ficar sozinho na condição que está, isso vai ser uma tragédia para você?".

Ele também aponta o preconceito por parte de mulheres casadas, que costumam enxergar as mulheres divorciadas como rivais.

O Ministério Apoio trabalha desde 1996 com cristãos não-casados (solteiros, viúvos e divorciados). Oferecem apoio para diversos âmbitos das vidas dessas pessoas. "Nós enfatizamos a área espiritual, entendemos que o divorciado precisa voltar-se para Deus. Na área emocional, entendemos que o divorciados são pessoas machucadas. Na social, possibilitamos que esses interajam, não fiquem enclausurados em seu mundo, mas que se relacionem com pessoas, reconstruam ou construam novas amizades. Damos orientação sexual, que é uma área de conflito na vida deles. Atuamos na área de missões, que é o envolvimento dessas pessoas em alguma área dentro da Igreja. Há muitos divorciados que já se voltaram para Deus, mas as igrejas não abrem portas para que eles atuem", explicou Fausto Brasil.

Um novo casamento
Após passar pela dor do divórcio, muitos demoram para assumir um novo relacionamento. Outros assumem o relacionamento que antes era extra-conjugal e tentam seguir adiante.

O rev. Ciribelli explica que na passagem de Mateus 5:32 Jesus afirma que qualquer pessoa que se divorciar, por motivos diferentes de traição, e iniciar um novo casamento, está adulterando, porque a separação não quer dizer a dissolução do casamento: "A mulher não tinha direito de casar-se de novo, e nem o marido. Ambos pecam se casam de novo ou mantêm relações sexuais com outra pessoa. Neste caso, está claro que o casamento não foi dissolvido. Apesar do divórcio, o casal ainda permanece casado. A questão da dissolução é o ponto central de todo o problema".

O motivo pelo qual ocorreu a separação conjugal é avaliado por muitos pastores na hora de celebrar um novo matrimônio. "Alguns casamentos de divorciados eu já fiz e faço. Desde que eu entenda que os motivos do divórcio ocorrido são irreparáveis e que esse novo casamento pode ser bem sucedido", explicou o rev. Brasil.

Para o pastor Josué Gonçalves é importante também analisar cada divórcio e os motivos pelo qual ele ocorreu. "Se uma pessoa foi abandonada pelo seu cônjuge, que já está com outra pessoa, ele pode ser considerado uma vítima. Eu nunca fiz, e confesso que teria dificuldade para fazer [casamento de pessoas divorciadas], mas não estou fechado quanto a isto se eu for convencido de que a pessoa que está se casando é uma 'vítima'", reiterou..

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