terça-feira, 24 de março de 2015

SEXO ANAL É PECADO?

Outra vez? Sim, outra vez. Esse sem duvida é um dos melhores artigos que já li sobre o tema.
Importante: Foi escrito por uma MULHER.
Não tire conclusões antes de ler até o final. 

Uma pesquisa feita pelo BEPEC, com mais de 1,6 milhões de evangélicos, diz que apenas 31,8% dos entrevistados possui uma relação sexual plenamente satisfatória. Eu acho pouco, bem pouco. Por isso insisto em dizer que este é um assunto que deve ser esclarecido, principalmente dentro das igrejas. A falta de satisfação sexual contribui, e muito, para a destruição de um casamento. Recebo dezenas de e-mails de casais em crise clamando por ajuda (cristãos e não cristãos), e posso afirmar que em mais de 70% dos casos o problema se encontra na área sexual. São pessoas que foram abusadas na infância, receberam uma instrução errada a respeito do sexo ou tiveram uma experiência traumática (antes ou depois do casamento), e hoje, sofrem as consequências no seu relacionamento. Nessa minha pequena caminhada, percebi que muitos problemas surgem simplesmente pela falta de esclarecimento, por isso insisto em bater nessa tecla. Não podemos fingir que nada está acontecendo, pois está! A prova viva disso é que esse artigo está em primeiríssimo lugar (disparado!) no ranking dos posts mais acessados aqui do blog. Pois é, tem muita gente desesperada pra saber se vai pro inferno por ter colocado o “pirulito” no buraco errado… 
Pois bem, quando tocamos no assunto “sexo anal”, o primeiro texto bíblico que nos vem a mente é o de Romanos 1:26-27:

“Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza. Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão.” 

Se estudarmos o contexto destes versículos, vamos descobrir que Paulo se referia aos bacanais públicos e oficiais de Roma. A orgia era parte oficial da instituição. É só ler com um pouco mais de atenção que você vai perceber. César transava com todas as mulheres que queria e também fazia-se mulher para muitos homens. Tudo era possível e permitido! Ele definitivamente não estava falando de sexo anal entre marido e mulher com consentimento e prazer mútuo.


A versão da Nova Bíblia Viva não nos deixa dúvidas:


“Esta é a razão pela qual Deus os entregou a paixões pecaminosas, a tal ponto que até suas mulheres se voltaram contra o plano natural que Deus tinha para elas e cederam aos pecados sexuais entre elas mesmas.” 

Sugiro então que não use mais este texto para condenar o sexo anal.

Outro versículo que também gera debate é o de 1Cor 6:9-10:
 “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idolatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarento, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus”.
Sodomita. Esta palavra tem origem na descrição Bíblica de Sodoma e Gomorra. A interpretação mais difundida desse texto é de que o pecado de Sodoma seria o sexo entre homens, no entanto, estudos bíblicos mais recente entendem que o pecado de Sodoma é a injustiça e a anti-hospitalidade. O texto de Ezequiel 16:49-59 reforça essa teoria: “Ora, este foi o pecado de sua irmã Sodoma: Ela e suas filhas eram arrogantes, tinham fartura de comida e viviam despreocupadas; não ajudavam os pobres e os necessitados. Eram altivas e cometeram práticas repugnantes diante de mim. Por isso eu me desfiz delas conforme você viu”. Mais uma vez não podemos afirmar que esta palavra se refere ao sexo anal feito entre marido e mulher com consentimento mútuo e prazer. Então, por gentileza, pare de utilizá-la nesse contexto.
Outra expressão que também é muito discutida e encontrada em diversos textos bíblicos é “imoralidade sexual”. Todo bom cristão sabe que para Deus este é um ato repugnante, ou seja, quem pratica imoralidade (sexual ou não) está pecando. Isso é fato. Mas o que é imoralidade? Encontrei no livro “A Batalha de Todo Adolescente” uma definição interessante para esta expressão: “Imoralidade sexual é o sexo praticado fora da aliança do casamento ou dentro dela, mas sem amor”. Então, de acordo com esta definição, não podemos associar imoralidade sexual à prática do sexo anal feito entre marido e mulher com consentimento mútuo e prazer, concorda?
Mas vamos agora a questão fisiológica. O sexo anal, no geral, é muito dolorido para a mulher, pois é um local bastante sensível, cheio de vasinhos internos e externos. Quando um deles estoura, pode surgir a tão famosa e dolorida hemorroida. Outra coisa, quando o sexo anal é feito com muita frequência, a anatomia do esfíncter fica prejudicada, sendo que em alguns casos, há a necessidade de cirurgia para reconstrução. Não é segredo pra ninguém que o ânus é um lugar sujo, criado para eliminar as fezes, desse modo, o marido poderá transmitir alguma doença para a esposa caso haja penetração na vagina após o sexo anal. E com as fissuras no ânus, a porta ficará aberta para infecções pelo HIV e outras DSTs. 

Bom, chegamos ao “x” da questão. Agora não falo mais de sexo anal, mas sim de amor. O amor não faz mal ao próximo. Se você ama sua esposa, não vai ter prazer em vê-la sofrer, vai? Se o Espírito Santo habita em você, isso provavelmente vai te incomodar um bocado. Mas geralmente, o desejo acaba passando por cima desse incômodo. Recebo e-mails de homens cristãos, inclusive de pastores, dizendo que respeitam e amam suas esposas, mas desejam ardentemente o sexo anal, e como não podem ter no casamento, acabam apelando para a pornografia e masturbação. Sem contar os que recorrem a traição ou prostituição. Por isso tantas esposas acabam cedendo, por medo de perderem seus maridos. Conheci o caso de uma senhora que foi hospitalizada com o ânus completamente desconstruído, repleto de ferimentos e cicatrizes. Ela se sujeitou ao sexo anal durante toda a vida, amedrontada pelas ameaças de seu esposo, que mesmo com o ânus ferido, obrigava-a a se submeter à esta prática.

Num caso como este, eu não titubearia em dizer: “Isso é imoralidade, é pecado!”. O vício se instalou de tal forma, que este homem foi capaz de passar por cima do amor que sentia pela sua esposa (se é que neste caso existia amor). Segundo Romanos 13.10, toda a lei se resume ao amor. Quando um desejo da carne é tão intenso que passa por cima de uma vida, aí então podemos nomear esta atitude de pecado. Sabe, eu tenho uma dificuldade tremenda em acreditar que Deus mandaria alguém pro inferno porque colocou o pênis no buraco errado. Acho isso um pensamento tão pequeno, tão imaturo… Deus está querendo nos dar um prato de feijoada e nós ainda temos que ficar discutindo se o leite pode ou não ser tomado com chocolate. 

Meu irmão, quando o assunto é sexo anal, o problema não é o buraco, mas o sentimento que permeia o ato, entende?

O amor não faz mal ao próximo, e se sua mulher sofre com o sexo anal, por amor a ela (e a Deus) você não deve fazer. Não porque o ânus é um buraco pecaminoso, mas sim pelo respeito que tem pela vida dela. Conversem sobre o assunto e orem juntos por isso. Controle sua mente e seus olhos. Quanto mais alimentar pensamentos e fantasias, mais difícil será para lutar. Se não alimentar o desejo, mais fraco o “monstro” vai ficar e sem alimento, uma hora ou outra acaba morrendo. É o famoso: “Resisti ao diabo e ele fugirá de vós.” Tiago 4:7. Talvez seja interessante conversar com sua esposa sobre algumas formas de deixar a relação sexual mais intensa, quem sabe com carinhos e posições diferentes… Descubram-se! 

Feche os olhos para a pornografia e domine seus pensamentos: “Tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.” Filipenses 4:8. A tentação sempre vai estar a nossa porta, seja nesta ou em qualquer outra área da vida, mas nós temos o poder de dominá-la. E neste caso específico, se faz mal à sua esposa, você deve lutar contra este desejo. Veja o que Deus disse a Caim quando, alimentado pelo ódio, planejava matar seu irmão: “Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta, ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo“. Gênesis 4:7. 

Queridos, Deus é perfeito e faz tudo perfeito. O Seu plano original para o sexo era perfeito também. Ele criou o orifício certo pra isso. O ponto “G” está na vagina e não no ânus. Mas com o pecado no mundo, muita coisa mudou. Deus não criou o sexo anal e se ele nunca tivesse existido, provavelmente o ser humano não sentiria essa necessidade, mas como ele existe, a vontade surge, é claro. Como eu disse, o sexo criado por Deus é lindo! A posição tradicional, pênis na vagina, corpo no corpo, olhos nos olhos também traz muito prazer. Quando o casal se ama, vive uma só carne e tem intimidade com Deus, aos poucos vai voltando ao princípio, a origem daquilo que Deus criou, como um ímã, entende? 

“Mas Dani, e se a esposa sente prazer no sexo anal e o marido usa camisinha para evitar infecções?” Primeiro eu pergunto: “Qual a sua intenção ao praticar sexo anal com sua esposa? É satisfazê-la? Demonstrando o seu amor e glorificando a Deus? “Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai.” Colossenses 3:17. 

Se os dois estão de comum acordo e a consciência de vocês não os acusa, quem sou eu para dizer o contrário? “A fé que tu tens, tem-na para ti mesmo. E, bem-aventurado é todo aquele que não se condena naquilo que aprova. Pois tudo o que não provêm de fé, é pecado” Romanos 14:22,23. O único conselho que deixo é: Dominem este desejo e não permitam que ele domine vocês, pois quando o vício se instala, acaba virando doença da mente, e é aí que mora o perigo, pois vidas estão em jogo. Por isso, “vivam pelo Espírito, e jamais satisfarão os desejos da carne”. Gálatas 5:16. 

“Pecado terrível não vem da região anal, vem do coração, de onde procedem os maus desígnios, conforme disse Jesus (Mc 7:21). Cada um cuide de si mesmo e não faça de seus gostos ou desgostos pessoais, regras para a vida de ninguém! Deus é o único capaz de sondar os corações, e “há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo?” Tiago 4:12

Autora: Daniela Marques
*Alguns trechos foram retirados de: caiofabio.net e Wikipédia

sexta-feira, 13 de março de 2015

CARÍCIAS ÍNTIMAS DURANTE O NAMORO: UMA SAÍDA PARA ALIVIAR A TENSÃO SEXUAL?

“Desejo casar virgem, posso apelar para as carícias íntimas e masturbação durante o namoro para aliviar a tensão sexual?”
Este tipo de questionamento invade a mente de centenas de jovens cristãos na mesma proporção em que invadem a minha caixa de entrada e as de muitos outros conselheiros e líderes espirituais.
Tive a oportunidade de participar de um debate sobre o tema no Programa Vejam Só, na RIT TV, ao lado do Juninho, pastor de Jovens e Famílias da primeira Igreja Batista de São Paulo.
Espero que as questões ali colocadas edifiquem a sua vida e te façam crescer como ser humano.
Fonte: Salve seu casamento     Autora: Daniela Marques 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Nada de cinza

 Não há nada de cinza a respeito de um seguidor de Cristo ver 50 Tons de Cinza. A questão é preta ou branca. Não vá. Não assista. Não leia. Não alugue.
Eu não quero sequer falar sobre isso. Outro blogueiro e eu andamos em círculos por várias semanas pensando em como poderíamos escrever uma resenha crítica satírica alfinetando aqueles que acham que precisamos ver esse filme para sermos relevantes. Não conseguimos. Não há forma de fazer um humor forte o suficiente para condenar filme tão vil.

E não, eu não fui ver o filme. Nem sequer assisti o trailer. Também não li uma única página do livro. Ler sobre a premissa na Wikipedia e no IMDb por alguns minutos me convenceu de que eu não precisava saber mais. O sexo é um presente maravilhoso de Deus mas, assim como todos os presentes de Deus ele pode ser aberto em um contexto errado e reembalado em um pacote feio. Violência contra mulheres não é aceitável só porque ela é aberta à sugestão, e o sexo não é aberto a todas as permutações, até mesmo em um relacionamento adulto. Consentimento mútuo não cria uma filosofia moral.
Sexo é um assunto privado para ser compartilhado na privacidade e santidade do leito matrimonial (Hebreus 13.4). Sexo, assim como Deus designou, não é para atores que fingem (ou não) que estão fazendo “amor”. O ato da união conjugal é o que casais casados fazem a portas fechadas, não o que discípulos de Jesus Cristo pagam dinheiro para assistir em uma tela do tamanho de suas casas.
Como já disse antes, precisamos ser criteriosos no que colocamos em frente aos nossos olhos, sendo homens e mulheres sentados em lugares celestiais (Colossenses 3.1-2). Se 50 Tons de Cinza é um problema, qual é o padrão de aceitação para o resto da sexualidade livremente consumida? Veja bem, a consciência do pecado não é por si só o problema. A Bíblia é cheia de relatos de imoralidade. Seria simplista e moralmente insustentável – até mesmo antibíblico – sugerir que você não pode assistir ou ler sobre um pecado sem pecar. Mas a Bíblia nunca se deleita em sua descrição do pecado. Ela nunca pinta o vício com as cores da virtude. Ela nunca se entretém com o mal (senão para zombá-lo). A Bíblia nunca cauteriza a consciência tornando o pecado normal e a justiça estranha.
Cristãos não deveriam tentar “redimir” 50 Tons de Cinza. Não devemos achar bonitinho e divulgar uma nova série de sermões chamada “50 Tons de Graça”. Não devemos envergonhar a arte ou a santidade ao pensarmos que, de alguma forma, algo tão escuso como 50 Tons vale a pena ser visto ou analisado. De acordo com a lógica de Paulo, é possível expor um pecado e mantê-lo escondido ao mesmo tempo (Efésios 5.11-12). “Um bom homem se envergonha ao falar do que várias pessoas não se envergonham de fazer” (Matthew Henry).
Alguns filmes não merecem uma análise sofisticada. Eles merecem um sóbrio repúdio. Se a igreja não pode estender graça a pecadores sexuais, nós perdemos o coração do evangelho. E se nós não podemos falar que as pessoas devem ficar longe de 50 Tons de Cinza, perdemos a cabeça.
por POR KEVIN DEYOUNG  fonte: Reforma 21
Traduzido por Marianna Schulz | Reforma21.org | Original aqui
Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

8 mulheres com quem um homem cristão não deve casar-se

O artigo da semana passada, “10 homens com quem uma mulher cristã não deve casar-se” viralizou. Mais de 1,2 milhões de pessoas compartilharam o link [N.T.: o link original] até agora – muito provavelmente porque muitos homens e mulheres solteiros estão procurando seriamente por indicações para encontrarem um bom companheiro.
Uma das respostas que obtive foram inúmeros pedidos de indicações semelhantes para os homens que estão procurando uma esposa. Como estou aconselhando vários rapazes atualmente e tenho visto alguns deles se casarem nos últimos anos, não foi difícil esboçar essa lista. Aqui estão algumas mulheres que eu digo a meus filhos espirituais evitarem:
1. A incrédula. No último artigo, eu lembrei as mulheres de que a Bíblia é absolutamente clara nesse ponto: Cristãos não devem se casar com incrédulos. 2 Coríntios 6.14 diz: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?”. Fora a decisão de seguir a Cristo, o casamento é a decisão mais importante que você tomará. Não estrague tudo por ignorar o que é óbvio. Você precisa de uma esposa que ame Jesus mais do que te ama. Coloque maturidade espiritual no topo de sua lista de qualidades que deseja em uma esposa.


2. A mimadinha. Um amigo meu estava namorando uma garota de uma família muito rica. Ele economizou algum dinheiro por meses para comprar um anel, mas quando a pediu em casamento, ela disse que ele precisava voltar à joalheria e comprar um diamante maior. Ela forçou seu noivo a se endividar por conta de um anel que alcançasse suas expectativas. Ela desejava um estilo de vida Tiffany com um orçamento de C&A. Eu alertei meu amigo de que eles estava caminhando rumo a problemas muito sérios. A não ser que você queira viver endividado pelo resto de sua vida, não se case com uma garota que tenha cifrões em seus olhos e oito cartões de crédito em sua bolsa da Gucci.
3. A diva. Alguns rapazes machões gostam de se achar e agirem como se fossem superiores às mulheres. Divas são a versão feminina desse pesadelo. Elas pensam que o mundo gira ao seu redor e não pensam duas vezes antes de machucar alguém para provarem seu argumento. Suas palavras são duras e seus estalos nos dedos para exigirem todo tipo de coisas são irracionais. Algumas dessas mulheres podem acabar assumindo posições de liderança na igreja, mas não se engane com seu papo de supercrente.  Verdadeiros líderes são humildes. Se você não enxerga humildade piedosa na mulher que está namorando, se afaste e continue buscando.
4. A Dalila. Lembra-se de Sansão? Ele foi ungido por Deus com força sobre-humana, mas perdeu seus poderes quando uma mulher sedutora descobriu seu segredo e deu a seu homem o corte de cabelo mais famoso da história. Como Dalila, uma mulher que não submete sua sexualidade a Deus irá cegá-lo com seu charme, partir seu coração e te tirar do rumo. Se a mulher “cristã” que você conheceu na igreja se veste de forma provocativa, flerta com outros rapazes, posta comentários sexualmente inapropriados no Facebook ou te diz que não vê problemas no sexo antes do casamento, saia desse relacionamento antes que você caia em sua armadilha.
5. A mulher rixosa. Um jovem rapaz me disse recentemente que namorava uma garota que tinha sérios problemas de ressentimento em seu coração por conta de feridas passadas. “Antes de pedi-la em casamento, disse a minha noiva que ela precisava lidar com isso”, ele me disse. “Era pegar ou largar, mas houve avanços notáveis e agora vamos nos casar”. Esse rapaz percebeu que amargura não resolvida pode arruinar um casamento. Provérbios 21.9 diz que “Melhor é morar no canto do eirado do que junto com a mulher rixosa na mesma casa”. Se a mulher que você está namorando está afundada em raiva e falta de perdão, a vida de vocês será arruinada por brigas, batidas de portas e drama sem fim. Insista em orarem juntos e buscarem aconselhamento com pessoas mais experientes na fé.

6. A controladora. O casamento é uma parceria meio a meio, e a única forma de funcionar é quando tanto o marido quanto a mulher se submete um ao outro nos termos de Efésios 5.21. Assim como alguns rapazes pensam que podem levar o casamento como se fosse uma ditadura, algumas mulheres tentam manipular as decisões para realizarem suas vontades. É por isso que o aconselhamento pré-marital é tão importante! Você não quer esperar até estarem casados por duas semanas para descobrir que sua esposa não confia em você e quer tomar todas as decisões sozinha.
7. A filhinha da mamãe. É normal que uma mulher recém-casada ligue para sua mãe em busca de aconselhamento e suporte. Não é normal que ela fale com a mãe cinco vezes por dia sobre cada detalhe do casamento, inclusive sobre a vida sexual. Isso é bizarro. Entretanto, tenho aconselhado rapazes cujas esposas permitem que suas mães (ou pais) tenham total controle de suas vidas. Gênesis 2.24 diz que o homem deve deixar seus pais e viver com sua esposa. Os pais devem observar de longe o casamento de seus filhos. Se sua namorada não busca cortar o cordão umbilical, prossiga com cautela.
8. A viciada. Muitas pessoas na igreja hoje em dia não foram discipuladas apropriadamente. Muitos ainda lutam contra todo tipo de vícios – álcool, drogas ilícitas, remédios controlados ou pornografia – seja porque não confrontamos esses pecados do púlpito ou porque oferecemos apoio compassivo o suficiente para quem passa por isso. Jesus pode libertar completamente alguém desses hábitos, mas você não quer esperar até estar casado para descobrir que sua esposa não consegue ficar sóbria. Vocês podem até se casar futuramente, mas não é sábio juntarem as trouxas até que tenham enfrentado de forma séria esse tipo de problema.
A melhor regra a seguir ao escolher uma esposa está em Provérbios 31.30: “Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada”. Olhe além das qualidades exteriores que o mundo diz serem importantes, e olhe para o coração.

Por  J. Lee Grady  Fonte: Reforma 21
Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Sofrimento no casamento cristão

Casamento pode ser doloroso – e o casamento cristão não é uma exceção. Quando dois pecadores estão em um relacionamento íntimo como o casamento, haverá muita coisa que poderá causar mágoa. Nossa carne irá se recusar a atender as demandas do auto sacrifício, serviço e humilhação, o que afeta uns aos outros para o mal. Haverá pecados, feridas agravadas, machucados. A dimensão irá variar em cada relacionamento. Alguns serão mais desafiadores que outros, mas todo casamento cristão experimenta alguma sorte de sofrimento.

Entretanto, isso não é completamente negativo (claro, nós não estamos nos referindo a relacionamentos abusivos). Se estamos puramente visando a alegria e a felicidade conjugal em nossos casamentos, então qualquer conflito, luta ou dor que acontecer será devastador. Mas esse não é nosso objetivo final no casamento cristão. Obviamente, oro por todos os casais jovens para que o casamento deles seja cheio de alegrias, e igualmente lamento por aqueles casais que não estão experimentando alegria, pois isso pode ser um fardo pesado para se carregar. Felicidade é bom, mas nenhum casamento cristão irá experimentar alegria ininterrupta. Claro, nós devemos buscar alegria, mas temos um objetivo maior em vista. Assim como em tudo em nossa vida, o grande objetivo de nosso casamento é a glória de Deus (1 Coríntios 10.31).

Essa verdade deve ser um conforto para os casamentos cristãos machucados, pois sabemos que, às vezes, a dor é a estrada pela qual deveremos viajar para alcançar o fim desejado (1 Pedro 4.13). Isso não tora, necessariamente, o sofrimento algo mais prazeroso, mas o torna mais suportável.


É de grande ajuda lembrar que o Senhor escolheu usar a instituição do casamento como uma das ferramentas do seu arsenal santo para nos refinar e nos moldar à imagem de Cristo. De diversas maneiras, o marido e a esposa cristã são como duas grossas lixas de papel colocadas juntas. Com o passar dos anos, as asperezas um do outro vão se esfregar, e, por causa disso e da graça de Deus, eles vão se tornando macios. Sua esposa, querido marido cristão, é um meio pelo qual o Senhor santifica você nessa vida. Ela é um presente. Da mesma forma, querida esposa cristã, seu marido é um meio pelo qual o Senhor está santificando você. Ele é um presente.

Com isso firmemente plantado na mente, nós começamos a ver nosso cônjuge como um aliado, ao invés de inimigo, quando as coisas ficam difíceis. Nosso cônjuge é um companheiro de trabalho no Reino. Nós estamos visando os mesmos propósitos, embora frequentemente fiquemos aquém deles. Nós sabemos que “nossa luta não é contra a carne e o sangue, e sim contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Efésios 6.12). Somos irmãos e irmãs, lado a lado, combatendo o bom combate da fé juntos. Não somos inimigos, adversários ou combatentes. Em vez disso, somos companheiros de peregrinação a quem Deus deu o dom de termos um cônjuge que o ama e nos ajuda durante a jornada para a cidade celestial. E, porque somos caídos, de tempos em tempos iremos machucar um ao outro. Mas isso não é o fim. Isso é, entretanto, outra oportunidade para crescermos em graça e piedade enquanto seguimos em frente.

Sofrimento vem e vai, mágoas virão e serão curadas, o perdão será procurado e será concedido; e no meio de tudo isso, Deus nos moldará à imagem de Cristo, nosso Senhor, para a Sua glória. Esse é um fim que vale a pena buscar, não importa o quão difícil essa estrada seja.


Por JASON HELOPOULOS

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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Teologia bíblica e a crise da sexualidade

A sociedade Ocidental está experimentando atualmente o que só pode ser descrito como uma revolução moral. Nosso código social moral e avaliação ética coletiva sobre uma questão em particular têm passado não só por alguns ajustes, mas por uma reversão completa. Aquilo que já foi condenado hoje é celebrado, e a recusa em celebrar é agora condenada.
O que torna essa revolução moral e sexual tão diferente das revoluções morais anteriores é que ela está ocorrendo em uma velocidade sem precedentes. Gerações anteriores experimentaram revoluções morais por décadas, mesmo séculos. A revolução atual está se desdobrando na velocidade da luz.
Quando a igreja responde a essa revolução, precisamos nos lembrar que os debates atuais sobre sexualidade apresentam a ela uma crise que é irredutivelmente e inescapavelmente teológica. Essa crise é similar ao tipo de crise teológica que o Gnosticismo apresentou à igreja primitiva ou a que o Pelagianismo apresentou nos tempos de Agostinho. Em outras palavras, a crise da sexualidade desafia o entendimento que a igreja tem do que é evangelho, pecado, salvação e santificação. Advogados da nova sexualidade demandam uma rescrita completa da meta-narrativa da Escritura, uma completa reordenação da teologia e uma mudança fundamental na forma em que pensamos sobre o ministério da igreja.

Por que o Método da Concordância falha

Versículos-prova são o primeiro reflexo dos protestantes conservadores em busca de uma estratégica de resgate e reafirmação teológica. Esse reflexo hermenêutico vem naturalmente aos cristãos evangélicos porque acreditamos que a Bíblia é a palavra de Deus inerrante e infalível. Entendemos que, como B. B. Warfield disse, “quando a Escritura fala, Deus fala”. Eu deveria deixar claro que esse reflexo não é completamente errado, mas também não é completamente certo. Não é inteiramente errado porque certas partes da Escritura (isso é, os “versículos-prova”) falam de questões específicas de uma forma identificável e direta.
Existem, entretanto, limitações óbvias a esse tipo de método teológico – que eu gosto de chamar de “reflexo da concordância”. O que acontece quando você está lutando com uma questão teológica para a qual nenhuma palavra correspondente aparece na sua concordância bíblica? Muitas das questões mais importantes não podem ser reduzidas a meramente encontrar palavras relevantes e seus versículos correspondentes em uma concordância. Tente procurar “transgênero” na sua concordância. Que tal “lésbica”? Ou “fertilização in vitro”? Essas certamente não estão na minha.
Não é que a Escritura não seja suficiente. O problema não é uma falha nas Escrituras, mas uma falha em nossa abordagem a ela. A abordagem da concordância à teologia produz uma Bíblia rasa, sem contexto, aliança ou narrativa principal – três fundações hermenêuticas essenciais ao entendimento correto da Escritura.


 Necessário: uma teologia bíblica do corpo

Teologia bíblica é absolutamente indispensável para a igreja estabelecer uma resposta apropriada à atual crise sexual. A igreja precisa aprender a ler a Escritura de acordo com seu contexto, imersa em sua meta-narrativa e revelada progressivamente de forma pactual. Precisamos aprender a interpretar cada questão teológica por meio da meta-narrativa da Escritura de criação, queda, redenção e nova criação. Especificamente, os evangélicos precisam de uma teologia do corpo que esteja ancorada no próprio desenrolar da redenção contido na Bíblia.

Criação

Gênesis 1.26-28 indica que Deus fez o homem – diferente do resto da criação – à sua própria imagem. Essa passagem também demonstra que o propósito de Deus para a humanidade era uma existência física. Gênesis 2.7 destaca esse ponto também. Deus cria o homem do pó e então sobra nele o espírito da vida. Isso indica que nós éramos um corpo antes de sermos uma pessoa. O corpo, como se vê, não é incidental à nossa personalidade. A Adão e Eva é dada a comissão de multiplicar e dominar a terra. Seus corpos permitem, pela criação e pelo plano soberanos de Deus, cumprir essa tarefa de refletir a imagem e semelhança dEle.
A narrativa de Gênesis também sugere que o corpo vem com necessidades. Adão sentiria fome, então Deus deu a ele os frutos do jardim. Essas necessidades são uma expressão implícita na ordem criada de que Adão é finito, dependente e derivado.
Além disso, Adão teria a necessidade de companhia, então Deus deu a ele uma esposa, Eva. Tanto Adão quando Eva deveriam cumprir o mandato de multiplicarem e encherem a terra com reflexos da imagem de Deus por meio do uso apropriado da habilidade reprodutiva do corpo com o qual foram criados. Junto a isso há o prazer corporal que eles iriam experimentar quando os dois se tornassem uma só carne – isso é, um só corpo.
A narrativa de Gênesis também demonstra que o gênero é parte da bondade da criação de Deus. Gênero não é meramente uma construção sociológica imposta a seres humanos que poderiam, de outra maneira, negociar um sem número de permutações.
Mas Gênesis nos ensina que gênero foi uma criação de Deus para o nosso bem e Sua glória. Gênero tem o propósito do florescimento humano e é definido pela determinação do Criador – assim como Ele determinou quando, onde e que iríamos existir.
Em suma, Deus criou sua imagem como pessoas corpóreas. Por termos um corpo, nos é dado o dom e a mordomia da sexualidade pelo próprio Deus. Somos construídos de uma forma que testifica os propósitos de Deus nisso.
Gênesis também emoldura toda essa discussão em uma perspectiva pactual. A reprodução humana não é meramente para propagar a espécie. Pelo contrário, a reprodução destaca o fato de que Adão e Eva deveriam multiplicar para encherem a terra com a glória de Deus refletida em cada ser humano feito à Sua semelhança.

Queda

A queda, o segundo movimento da história redentiva, corrompe o bom presente de Deus que é o corpo. A entrada do pecado traz mortalidade ao corpo. Em termos de sexualidade, a Queda subverte os bons planos de Deus para o complementarismo sexual. O desejo de Eva é de dominar sobre seu marido (Gênesis 3.16). A liderança de Adão será dura (3.17-19). Eva experimentará muita dor no parto (3.16).
As narrativas que se seguem demonstram o desenvolvimento de práticas sexuais abomináveis, de poligamia ao estupro, que a Escritura retrata com notável franqueza. Esses relatos de Gênesis são seguidos da entrega da Lei, cuja intenção é refrear, entre outras coisas, o comportamento sexual abominável. Ela regula a sexualidade e expressões de gênero e faz pronunciamentos sobre moralidade sexual, travestismo, casamento, divórcio e uma miríade de outros assuntos fisiológicos e sexuais.
O Antigo Testamento também conecta o pecado sexual à idolatria. Adoração por meio de orgias, prostituição sacerdotal e outras distorções horríveis do belo dom de Deus que é o corpo são parte e parcela de uma adoração idólatra. A mesma conexão é feita por Paulo em Romanos 1. Tendo mudado “a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis” (Romanos 1.23), e tendo mudado “a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador” (1.25), homens e mulheres mudaram suas relações naturais uns com os outros (v. 26-27).

Redenção

Sobre a redenção, devemos notar que um dos aspectos mais importantes de nossa redenção é que ela vem por meio de um Salvador que tinha um corpo. “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1.14; ver Filipenses 2.5-11). A redenção humana é alcançada pelo filho encarnado de Deus – que permanece encarnado eternamente.
Paulo indica que essa salvação inclui não apenas nossas almas, mas também nossos corpos. Romanos 6.12 fala do pecado que reina em nosso “corpo mortal” – o que implica na esperança de uma redenção corporal futura. Romanos 8.23 indica que parte de nossa esperança escatológica é “a redenção do nosso corpo”. Mesmo agora, em nossa vida de santificação, somos ordenados a apresentar nossos corpos como um sacrifício vivo em adoração (Romanos 12.2). Mais adiante, Paulo descreve o corpo redimido como um templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6.19) e devemos entender claramente que a santificação tem efeitos no corpo.
A ética sexual do Novo Testamento, assim como no Antigo, regula nossas expressões de gênero e sexualidade. A porneia, imoralidade sexual de qualquer tipo, é condenada categoricamente por Jesus e pelo apóstolos. Assim, Paulo claramente indica à igreja de Corinto que o pecado sexual – pecados cometidos no corpo (1 Coríntios 6.18) – são o que levam a igreja e o evangelho à vergonha, porque eles proclamam ao mundo que nos assiste que o evangelho não teve efeito algum (1 Coríntios 5-6).

Nova Criação

Finalmente, chegamos ao quarto e final ato do drama da redenção – a nova criação. Em 1 Coríntios 15.42-57, Paulo nos dirige não apenas à ressurreição de nossos próprios corpos na nova criação, mas ao fato de que a ressurreição física de Cristo é a promessa e o poder dessa esperança futura. Nossa ressurreição será a experiência da glória eterna no corpo. Esse corpo será uma continuação consumada e transformada de nossa existência corporal atual, da mesma forma que o corpo de Jesus é o mesmo corpo que ele tinha na terra, embora completamente glorificado.

A nova criação não será simplesmente um recomeço do jardim. Será melhor que o Éden. Como Calvino notou, na nova criação iremos conhecer Deus não somente como Criador, mas como Redentor – e essa redenção inclui nossos corpos. Iremos reinar com Cristo de forma física, assim como ele é o Senhor encarnado e soberano.
Em termos de nossa sexualidade, enquanto o gênero ainda continuará na nova criação, a atividade sexual não. Não é que o sexo será anulado na ressurreição; pelo contrário, ele será cumprido. O banquete escatológico das bodas do Cordeiro, para onde o casamento e a sexualidade apontam, finalmente ocorrerá. Não haverá mais necessidade de encher a terra com a imagem de Deus, como era o caso de Gênesis 1. Pelo contrário, a terra será cheia do conhecimento da glória de Deus, como as águas cobrem o mar.

Teologia bíblica é indispensável

A crise da sexualidade tem demonstrado o fracasso do método teológico de muitos pastores. O “reflexo da concordância” simplesmente não é capaz de produzir o tipo de rigoroso pensamento teológico necessário nos púlpitos de hoje. Pastores e igrejas precisam aprender sobre a indispensabilidade da teologia bíblica e precisam praticar a leitura da Escritura de acordo com sua própria lógica interna – a lógica de uma história que vai da criação à nova criação. A tarefa hermenêutica perante nós é grande, mas também é indispensável à abordagem evangélica fiel da cultura.

Por Albert Mohler Jr

Fonte: Reforma 21 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Sauron, Satanás e a incapacidade do mal de entender o bem

Em seu maravilhoso livro On the Shoulders of Hobbits [Sobre os ombros de Hobbits], Lou Markos tem algumas coisas profundas e belas para dizer a respeito da natureza do bem e do mal. Uma seção que se destacou em particular está no capítulo 15, “Cego pela luz”, em que ele expõe a incapacidade do mal de permanecer diante da luz do bem, ou até mesmo entendê-la. Markos desenvolve de maneira magistral essa realidade. Primeiro ele cita Tolkien em O Retorno do Rei, quando Gandalf explica a Aragorn porque Frodo e Sam tem qualquer esperança de atravessar Mordor para destruir o Anel:
Que poderíamos desejar destruí-lo e não colocar ninguém em seu lugar é um pensamento que não lhe ocorre. Que possamos tentar destruir o próprio Anel é algo que não entrou nem em seus sonhos mais escuros.
Markos prossegue e escreve sobre as verdades mais profundas de todas as obras de Tolkien:
A razão pela qual Sauron não imaginou o real propósito da Sociedade do Anel não é que ele seja um tolo ou mesmo que seja orgulhoso, mas é que ele simplesmente não conseguia conceber que alguém seria capaz de abrir mão de tal poder. Ele é completamente cego aos caminhos e motivações da bondade; tal Luz é brilhante demais para seus olhos tenebrosos contemplarem.
Pense nisso por um instante, nessa ideia das limitações do mal e do perverso. A incapacidade de Sauron de reconhecer um motivo bom, nobre, humilde e sacrificial foi sua queda. Ele não conseguiria conceber que alguém voluntariamente abriria mão de imenso poder ou disposto a arriscar a própria vida para fazê-lo, mas alguém o fez, na verdade, todo um grupo o fez. No fim, foi a incapacidade de Sauron de reconhecer o bem que levou ao fim do mal na Terra Média.

 Quando li isso, todas as minhas leituras dos evangelhos vieram à mente. Por muito tempo tenho lido a vida, a morte e a ressurreição de Jesus como uma vida de vitória. Mas eu tenho lido como se fosse uma vitória em uma batalha, como se na cruz Satanás estivesse gritando “Nããããããoooo!” com sua voz de vilão, enquanto murchava em derrota. Eu via como uma luta “mano a mano” entre Jesus e Satanás, com Jesus finalmente vencendo. Essa não era necessariamente uma imagem mental consciente, mas era um senso que eu tinha. Quão errado eu estava.
O que Markos escreveu me mostrou claramente que a coisa mais inteligente que Satanás poderia ter feito para condenar o mundo à destruição era manter Jesus vivo. Mas, como Sauron, Satanás é incapaz de entender humildade, serviço e sacrifício. A humanidade necessitava de um sacrifício perfeito para pagar nossa dívida com Deus e, ao invés de manter esse sacrifício longe da cruz, Satanás estava mais do que disposto a colocá-lo lá. A moeda e a linguagem de Satanás são de poder e domínio; é por isso que ele quis que Jesus se ajoelhasse perante si no deserto. Ele só entende a busca da auto-realização e a conquista da autoglorificação. Satanás estava tão disposto a destruir o bem que não percebeu que estava sendo usado por Deus. Ao tentar alcançar a vitória sobre Jesus o matando, Satanás condenou a si mesmo.
A vitória de Deus sobre Satanás não foi uma luta épica de iguais, mas sim aaquele que é onisciente desenrolando um plano de salvação no qual Satanás se encaixou como a perfeita marionete, por conta de sua própria incapacidade de reconhecer o bem. Satanás, com todos os seus esforços de derrotar Jesus, garantiu a própria ruína – tudo parte do plano de Deus. Minha própria admiração pela sabedoria de Deus aumentou por conta dos lugares a que Lou Markos me levou nessas páginas, sobre os ombros de Hobbits.

Por: Barnabas Piper

Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui
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